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21ª Maratona de Revezamento Pão de Açúcar

Conheci o Matheus Henrique, personal trainer da Academia Equilibrio Personal, em 2009. Tudo teve início no Projeto São Silvestre, que começou na sua coluna no Ribeirão Preto Online (para ler como foi clique aqui), e chegou até minha primeira São Silvestre, que para quem ainda não leu, basta clicar ai em cima em “como comecei a correr”.
Passados 4 anos, muita coisa já se passou, mudei de Ribeirão, voltei para São José dos Campos, novos desafios e objetivos vieram depois da São Silvestre, maratonas e tantas outras provas, novas amizades, e hoje faço parte da Equipe 100 Juízo, que me adotou em São José.

A turma da Equilibrio Personal

A turma da Equilibrio Personal

Mas quando o Matheus me chamou para fazer dupla com ele na Maratona de Revezamento Pão de Açúcar e vestir a camiseta da academia Equilíbrio Personal não pensei duas vezes, afinal se hoje eu sou um corredor, devo isso a ele. Além do que seria uma ótima oportunidade de rever o amigo, sempre tentamos programar alguma prova juntos, mas nunca dá certo.
O Studio Personal Equilíbrio foi então para a 21ª Maratona de Revezamento Pão de Açúcar com duas equipes, o quarteto formado pela Debora, o Eder Yamada, o Caio e o Renato Ramos, e a dupla Matheus e eu.
A retirada do Kit ficou por minha conta, segui no sábado para São Paulo com os 100 Juízos Helber, Fábio, Tiago e Aldo, que iam participar da 6ª Corrida 24 horas na Pista no Parque Esportivo dos Trabalhadores no Tatuapé. Confesso que fiquei com vontade até de dar umas voltinhas na pista, mas ainda tinha uma jornada de ônibus, metrô e caminhada, até o Conjunto Desportivo Constâncio Vaz Guimarães lá no Ibirapuera, para pegar o kit, e depois seguir para minha hospedagem no apartamento do meu sobrinho, pupilo e futuro afilhado Rafael, que mora em frente ao que foi o presídio do Carandiru. Agora é um parque muito bacana, e não faltou vontade de dar umas voltas lá também. Vai ficar pra uma próxima visita.

No domingo minha prova começou cedo, 5h30 já estava no metrô, com destino a Brigadeiro, onde a organização da prova disponibilizou ônibus para levar os atletas até o Ibirapuera. E em frente ao Obelisco encontrei a turma que viajara na madrugada. Kits distribuídos, quem iria abrir a prova seguiu para largada, e quem iria pro revezamento, seguiu para os pontos de troca. Olhando no mapa parece simples, mas é bem complicada a logística dessa que é, segundo os organizadores, a maior prova da América do Sul em número de participantes, mais de 35.000 corredores colorindo o entorno do Parque do Ibirapuera.

O Matheus abriu nosso revezamento.

O Matheus abriu nosso revezamento.

 

Na subida da Rubem Berta o bicho pega.

Na subida da Rubem Berta o bicho pega.

Em 2011 corri num octeto (5km para cada corredor), e a área de troca é muito cheia e animada, muitos marinheiros de primeira viagem. Já nas duplas (+ ou – 21km para cada) a maioria é de veteranos, gente que corre bem. Com pouco mais de uma hora de prova, já tinha atleta fazendo a troca, os caras de ponta trocavam rápido e saiam voando. Acabei nem vendo o Matheus passar na primeira volta, e a partir das duas horas fiquei atento, esperando meu parceiro para fazermos a troca, o que só aconteceu com 2h40 de prova. O Matheus chegou bem cansado, e já previ o que me esperava pela frente. Comecei animado e fiz os primeiros 10km com 55 minutos, mas fazer duas voltas é sempre chato e não consegui manter o ritmo, principalmente nas subidas da Rubem Berta.
Passar correndo pelos pontos de troca das equipes é muito legal. Corredores animados gritando, torcendo e saudando quem passa. Essa é a primeira corrida da vida de muita gente, e é gratificante ver a galera que resolveu levantar cedo no domingo para correr.
Nos últimos quilometros as pernas simplesmente travaram, e o ritmo caiu muito, fui seguindo no trote, mas ao avistar o pórtico dei um tremendo sprint, apitando e comemorando, o que acaba contagiando a platéia. Foi uma das chegadas mais festivas que eu já fiz, comemorei como se tivesse marcado um gol, e foi muito emocionante.
Fechei a segunda parte em 1h58, foi acima do que eu pretendia, mas foi o que consegui.
Tempo final da dupla 4h40, com muita alegria e a satisfação de correr com um grande amigo numa das corridas mais divertidas do circuito, é uma daquelas que você tem que juntar sua turma e fazer ao menos uma vez na vida.

Emoção e comemoração na chegada!

Emoção e comemoração na chegada!

 

O dia que eu conversei com o nosso Recordista Mundial da Maratona

No ano de 1998 eu nem sonhava que um dia seria um corredor, e que correria até uma maratona. Aliás, em 1998 eu pouco me interessava por corrida de rua, e tampouco acompanhava o atletismo, somente nas Olimpíadas e no último dia do ano assitia a São Silvestre.

Ronaldo da Costa - Berlin 1998

Ronaldo da Costa – Berlin 1998

Nesse ano, um atleta brasileiro, que já vencera a São Silvestre em 1994, subiria no lugar mais alto do podium de uma das mais conceituadas maratonas do mundo, a de Berlim, e com quebra de um recorde que já durava cerca de 10 anos.

O Brasil acompanhou seu feito, “passou no Jornal Nacional”, e o Ronaldo foi muito festejado. Passados 15 anos, é mais um daqueles atletas que não tem em solo brasileiro o reconhecimento de seu feito, enquanto que lá fora é sempre reverenciado e lembrado. Em Berlim, sempre prestam homenagens aos vencedores da Maratona, e ele já teve até medalha com seu recorde estampado.

Hoje como corredor, sei bem quem é o Ronaldo, e é um dos meus ídolos do meu esporte preferido. Como disse bem o amigo Vicent Sobrinho, o Ronaldo é o nosso Pelé do Atletismo. Mas além disso tudo, o Ronaldo é um cara simples e humilde. Não o conheço pessoalmente, pode até ser que já tenha participado de alguma prova aonde ele estivesse presente, mas a internet me proporcionou a oportunidade de conversar com essa lenda do nosso atletismo.

Estava eu em casa no ano passado, quando o Ronaldo me chama no Facebook, pergunta se eu tenho Skype e se poderia adiciona-lo. Achei que era trote, e confesso que fiquei até desconfiado, mas, fiz o que ele pediu, e iniciamos uma ligação no Skype. E era ele mesmo, o Ronaldo da Costa. Conversou comigo como se fosse um velho amigo, me contou que estava em Brasilia, aonde faz um trabalho de formação de jovens atletas junto a Secretaria de Esportes, e precisava mesmo era aprender a falar no Skype, pois daria uma entrevista online para a ESPN e nunca havia utilizado a ferramenta. Queria saber se o som e a imagem estavam bons. Fizemos vários testes e acho que deu certo.

Depois disso voltaríamos a nos falar, quando ele me chamou para contar sobre o episódio em que foi assaltado no ponto de ônibus no começo do ano, quando ia para o trabalho.

Ainda quero conhecê-lo pessoalmente, qualquer hora a gente se encontra em uma prova por ai. Mas foi uma tremenda honra para mim conversar e ter a amizade, mesmo que virtual, com o cara que correu a Maratona de Berlin em 2h06m05s, e que é o recorde sulamericano a ser batido até hoje, um exemplo de simplicidade e uma referência para todos nós, corredores ou não.

Depois dos 42…

“Se você quer correr, corra uma milha. Se você quer experimentar outra vida, corra uma maratona.” 
(Emil Zatopeck)
Quando li isso a primeira vez, não entendi bem. O que poderia ter assim de tão mágico na clássica distância, que iria mudar minha vida.
Comecei a correr em 2009, e a Maratona não estava nos meus planos, queria simplesmente correr a São Silvestre, e talvez um pouco mais ou menos. Mas a evolução segue naturalmente, e depois dos 15, vem os 21,  os 25, os 30, e uma vontade de experimentar essa outra vida, da qual a Locomotiva Humana um dia falou.
A oportunidade veio justamente esse ano, em que completei 43 anos, ou seja, estava na hora de correr os 42, pelo menos na idade eu já havia ultrapassado esse número, e logo de cara experimentei duas vezes, em São Paulo e no Rio. Zatopeck tem razão, é outra vida. A começar pelo treinamento, niguém corre uma maratona assim, do nada. São pelo menos 3 meses de preparação específica, de mudança de hábitos, de treinos, alimentação e descanso. E na prova você passa por uma espécie de iniciação. Saber dosar o ritmo no começo, controlar a ansiedade, manter a mente concentrada na passagem, no momento, pois não é facil ao chegar na placa de 10k imaginar que ainda restam 32 a cumprir, assim como quando se chega na placa 32, aquele miseros 10km vão parecer intermináveis. As dores serão inevitáveis, e tudo pode acontecer, ali, naquele percurso de 42km você vai passar por sensações de uma vida inteira, vai nascer e morrer várias vezes, vai resistir, desistir e começar de novo, e sim, chegar ao final vai ser a uma realização sem igual, seja como for, não importa o tempo, seu estado físico, será uma sensação indescritível. Tanto é que ainda estou falando nela.
Minha 1ª corrida “oficial” depois da Maratona do Rio, 40 dias depois, foi oficialmente de 6k (na verdade só teve 5,3km), e sinceramente, não deu nem pra aquecer. Depois dos 42km, acho que qualquer distância abaixo de 20km parece incompleta. Não que eu esteja desdenhando das distâncias menores, sei o quanto é difícil correr seus 5km pela primeira vez, eu passei por isso, todos nós corredores passamos, estou sempre acompanhando e incentivando novos adeptos, e é gratificante ver quando conseguem superar a distância e claro que tem aqueles que gostam, são fãs dos 5km e 10km e se aprimoram nessas distâncias, baixam tempos, superam os limites, e estão satisfeitos e felizes. Cada qual tem a sua distância preferida. Poucos são como a Lenda Zatopeck, que foi mestre em todas, único atleta a conquistar o Ouro Olímpico nos 5k, 10k e na Maratona numa mesma Olimpiada, Helsink em 1952, e no ano seguinte venceu a nossa São Silvestre, que na época tinha 7,3km, com facilidade.
A satisfação de terminar a minha primeira Maratona
Nas próximas semanas vou correr 3 provas de 10k, e pretendo me superar nelas, quero baixar meu recorde “mundial” pessoal, mas a vontade mesmo era de correr sempre uma maratona, e conseguir chegar inteiro, sem dores (se é que isso é possível), e poder falar não que já completei a Maratona, mas que sou um Maratonista. Esse dia ainda vai chegar.

Maratona do Rio 2012

Minha Maratona começou logo na chegada ao Rio, e achei que minha garganta estava irritada, na dúvida se seria a gripe que me rondava a dias, ou era psicológico por conta do desafio, tomei uma aspirina e acordei melhor e disposto para correr a prova pela qual me preparei durante todo o semestre.
Fui pro busão na madrugada, e ai começou a primeira batalha: O motorista levou a gente pra largada da Meia, e disse que era pra lá que mandaram ele nos levar e não iria pra nenhum outro lugar. Começou uma rebelião, com ameaças de jogar o motorista pra fora e alguém assumir a direção. Sentindo o perigo, ele resolveu nos levar pro Recreio, mas não sabia bem o caminho, mas sempre tem alguém que conhece e guiou. Chegando lá o motorista trancou as portas e disse que só abriria se pagassemos a diferença, pois mandaram ele ir pra um lugar, e ele foi pra outro, e não seria reembolsado ou sei lá o que. Nova revolta, com ameaças de sairmos do ônibus pelas saidas de emergência, e finalmente o cara abriu. já eram 7h15, foi o tempo de colocar minhas coisas no guarda-volumes, e me preparar para largada. Não achei ninguém da 100 Juízo, mas encontrei o Rogerio Carvalho Lelão, grande amigo de treinos de Ribeirão, e fomos juntos.
O Rogério me levou bem até o 28k, dali em diante, o cansaço da gripe me pegou. Não tive dores, não tive caimbras, só tive cansaço da gripe mesmo, estava derrubado, e dali pra frente foi uma batalha, mas tinha colocado na minha cabeça que não andaria, e consegui ir assim até o 30 e poucos, e dali em diante, a cada posto médico que passava, eu olhava, desejando que me chamassem para atendimento, mas, se não me chamaram é que a aparência não estava tão ruim. Fui intercalando caminhadas e trotes até o final, e assim cheguei, esgotado, meu tempo foi maior que em SP: 4h49, mas com a alegria de ver a Paula Fortaleza, a Ana Luíza Araújo, o João Fortaleza de Araújo e Adriana Fortaleza, a família toda, essa Fortaleza toda, comemorando e incentivando e me dando forças na minha chegada.
De noite e na segunda tive febre, mas ainda deu pra passear na cidade maravilhosa, aproveitando o feriado paulista de 9 de julho.
Valeu pela experiência, pelo aprendizado, e que deveria ter respeitado a gripe. Mas se eu não fosse correr também, e a gripe não viesse, ficaria uma sensação de amarelão. Enfim, foi como tinha que ser, e ano que vem eu melhoro isso.