Tag Archive for Maratona do Rio

Maratona Cidade do Rio de Janeiro – 2013

Um ano depois, de volta ao Rio para a Maratona. Se em 2012 uma gripe na véspera me deixou baleado, dessa vez já cheguei contundido pelo excesso de treino no curto tempo que tive para me preparar. Mas se não estava inteiro, sobrava a vontade de estar lá, e essa superação poderia fazer a diferença.
Fomos então, os cinco companheiros de jornada: Eu, o Fabio Namiuti, o Tonicão, o Edson Cassiano e o Aldo Lopes, os dois últimos, debutantes na distância. Todos cheios de expectativas, e confiantes nas suas possibilidades.
A viagem foi tranquila, mas com o pesar da notícia do passamento do filho do nosso Capitão Zebra, quando já estávamos na estrada, seguimos de luto para o nosso destino.

Os Arcos da Lapa na decoração do Hostel Cidade Maravilhosa

Os Arcos da Lapa na decoração do Hostel Cidade Maravilhosa

A chegada no Rio também tranquila. Fila na retirada do Kit, mas que faz parte para entrar no clima, e com os kits na mão, seguimos para o nosso Hostel Cidade Maravilhosa, que fica na Gloria, no comecinho da subida para Santa Tereza. Caipiras no Rio, vamos aonde o GPS manda, e ele resolve falhar, quando já estávamos na esquina do Hostel, mas como se acreditar na informação do satélite fosse mais confiável do que a placa da rua na nossa frente, passamos reto. Caminho errado, mas que nos seu a possibilidade de dar uma volta completa em Santa Tereza, e conhecer, mesmo que dentro do carro, esse belo e pitoresco bairro do Rio, com suas ruas cortadas pelos trilhos do famoso Bonde de Santa Tereza. As vezes o errado dá certo.

Aldo, Tonico, Edson, Silvio, Vinicius e Fábio. Parte dos "100 Juízo" patrocinados pela Construtora Tabaporã e Galter Imóveis

Aldo, Tonico, Edson, Silvio, Vinicius e Fábio. Parte dos “100 Juízo” patrocinados pela Construtora Tabaporã e Galter Imóveis

A noite noite, jantar de massa no Catete, e encontramos a turma toda para um rodada de pizza carioca. Primeira vez na vida que vi pizza de salsicha, não sei dizer se é boa, pois não experimentei, fiquei nos sabores tradicionais, a moda carioca, como “pizza de queijo coalho” e no crepe, finalizando com uma pizza de chocolate com banana.

Findo o jantar, eu e o Edson preferimos voltar para o Maracanã, que era o nome do nosso quarto no Hostel, enquanto os outros seguiram de metrô para conhecer Copacabana, essa sim, a de verdade.

O sono foi leve, pulamos cedo e caminho rápido pela Linha Amarela rumo ao Pontal do Tim Maia. O motorista não perdeu tempo, dessa vez não errou o caminho, e chegamos com folga, comemos ali um segundo café da manhã, previamente comprado na véspera, o primeiro foi no Hostel.

100 Juizos no Rio!

100 Juizos no Rio!

Hora de rever amigos, parece que São José dos Campos baixou ali e pose para algumas poucas fotos. Estava arisco, ainda temeroso das minhas condições e do que me esperava, mas muito confiante, seguimos para alinhar na largada, que foi dada pontualmente as 7h30, mais alguns minutinhos para chegar no tapete de cronometragem, e as 7h34 estávamos correndo. Os primeiros quilômetros foram tranquilos, fui acertando o ritmo, e com uma leve pontada no tendão direito, mas totalmente controlável. Aqueci nos 3 primeiros km, num ritmo entre 6:30 a 6:00/km, e a partir dai pegamos a velocidade de cruzeiro: 5:50/km, que consegui manter com poucas variações até o km 10. Meus companheiros estavam logo a frente, dentro do meu campo de visão, e fui mantendo assim. O calor já começava a se mostrar, mas concentrado na minha perna nem percebi, só me dei conta de que o sol derrubara muita gente lá no final, segui sempre me hidratando bem nos postos de água, e me molhando bastante.
Passada a primeira hora, tomei meu primeiro CarboGel, e logo a frente por volta do km 15, tomei um gatorade, muito bem servido, gelado e em saquinhos. Mas ai, como diria o Capitão Zebra, começou a “azedar o pé do frango”. Talvez a mistura do gatorade com o gel tomado um pouco antes, enfim, precisava de um banheiro urgente. Ai fica uma boa dica para quem for correr no Rio, e que aprendi com o Matheus Personal, ele até marca em seu planejamento de prova os banheiros aonde vai parar: Nos postos de Salva Vidas, (tem um praticamente a cada km), tem banheiros, cuja a taxa de uso é de R$ 1,70. Leve sempre dinheiro, e se possível trocado para agilizar e não perder tempo.
Dei dois reais para menina, e nem peguei o troco, resolvi ali mesmo no km 16, em pouco tempo, mas retornar é que foi o problema, o pit-stop foi rápido, mas o tempo parado fez o tendão voltar doendo, e não consegui mais encontrar o ritmo que vinha impondo até ali, achei até que era o fato de encontrar corredores mais lentos na volta, mas não consegui mais baixar de 6:30/km. Fui tentando melhorar, mas ao chegar na metade da prova, a dor aumentou bastante. Cheguei no km 21, na Praia do Pepe, e a bela Pedra da Gavea, com 2h11m, era muito pouco acima do que eu esperava, mas sentia que já estava minado para correr a outra metade que me restava. Vi um cara sendo atendido no posto médico, fui lá e pedi também alguma coisa para passar no tendão, tipo aquele veneninho que passam na perna de jogador de futebol que parecia ter ficado aleijado, e o cara levanta correndo na hora. Era mais para efeito psicológico, e voltei a correr pensando aonde buscar forças para seguir adiante.

Ao iniciar a subida da Ponte da Joatinga, liguei para casa, eram 10 horas da manhã, e acordei a Paula, para buscar em seu incentivo a força que me faltava, e que ela me deu naquele momento. Mas ao entrar no Túnel do Joa, senti que não dava mais, e ali, o ritmo caiu e comecei a caminhar no escuro, a dor tomou conta. Nesse momento um monte de pensamentos vem a cabeça, e simplesmente calculei, que se seguisse andando não conseguiria nem chegar no tempo limite de 6 horas que temos para completar a prova. No trecho aberto do túnel, aproveitei para apreciar a bela vista do mar batendo nas pedras. Lamentei não estar com a câmera, afinal, se não iria mais correr, ao menos poderia fotografar, e no último trecho fechado, tocava música clássica, que ecoava por todo o túnel, o que deu um alento de tentar voltar a correr. É uma sensação totalmente estranha e diferente, a escuridão, a música, e no meu caso a dor, e a busca pela luz no final do túnel. Na saída do tunel, tem um contorno para entrar em São Conrado, e um posto de água, tinha ali um atleta parado, com dores, e com Kinésio Tape na perna direita, igual ao que eu estava usando. Perguntei para ele se era o tendão, e ele disse que era o tornozelo. Desejei forças pro cara, e segui minha caminhada. Naquele momento a corrida já havia acabado para mim. A temida subida da Niemeyer não me botava mais medo,

A cara de desolado do Alto da Niemeyer

A cara de desolado do Alto da Niemeyer

resolvi até aproveitar o sol, e tirei a camiseta, pelo menos volto pra casa bronzeado, subi apreciando a bela vista do alto. E assim, segui minha caminhada, aproveitando para conhecer outros corredores andantes como eu, como um senhor sergipano, que dizia que era a primeira e última maratona da vida, ou um professor de educação de física, que só me lembro que era de uma cidade cearense famosa por suas redes, com câimbra nas duas pernas, ele disse só ter vindo para acompanhar o pai, que naquela altura 3h30m de prova, já devia ter completado a prova. Nesse trecho o percurso passa por dentro da Favela do Vidigal, e tem uma vista muito bela, e algumas crianças incentivando os corredores por ali.
Foi nesse momento que apareceu o primeiro anjo corredor. João, o carioca que estava com o tornozelo estourado poucos quilômetros atrás, voltava, junto com um outro corredor, que ele chamava de Mineiro, e uma moça de nome Alexandra. Ao me ver andando, João disse que eu havia lhe dado força lá trás, e que agora, ele me daria forças para seguir em frente. Não tive como não voltar, chamei o Cearense para se juntar a trupe, mas ele declinou nos primeiros passos. E assim seguimos, conquistando cada km a frente, trotando, e controlando, passamos pelo 30, 31, 32 e fomos alternando, quando um parava o outro incentivava a continuar. Ao entrarmos em Ipanema, o Mineiro já tinha ficado pra trás. Eramos 3 e ali o João ficou também, suas dores aumentaram muito, ainda tentei incentivá-lo, mas não podia perder o ritmo do trotinho que ele me ajudara a pegar. Dos 4 guerreiros, restaram eu e a Alexandra, um tentando acompanhar o outro. E ai você segue tentando incentivar os outros, como um Santista que seguia andando, e eu fiz ele se juntar ao nosso trote, um km por vez, até o final de Vieira Souto. Ainda encontraria outro anjo corredor. Um cara, que nem fiquei sabendo seu nome, mas que é um ultra-maratonista, com o logo do Ironman tatuado na perna, disse que passou mal no começo da prova, e ficou somente a acompanhando e incentivando a esposa.

Aonde eu fui amarrar meu burro?

Aonde eu fui amarrar meu burro?

Logo no começo de Copacabana tem um ponto de distribuição de frutas e guloseimas, mas quando passei só tinha mesmo Maxi-Goiabinha, peguei uma, e sem água fiquei com aquilo entalado. Era mais ou menos o km 35 e o posto de água ainda estava longe, o cara correu até o posto de água, mais ou menos 1,5km a frente, e voltava com água para esposa, mas me deu dois copos, que não só desceram a goiabinha como serviram para um banho refrescante. Ele ainda faria isso mais uma vez, no trecho da Princesa Isabel. Entrar em Botafogo, avistar o Pão de Açúcar a direita e o Cristo Redentor a esquerda, não foi bem como eu havia sonhado nas minhas mentalizações para corrida, mas estava ali, chegando no Flamengo e faltando 2km para finalizar a prova, ali, por mais que tenha doído, senti que fiz o que tinha que ter feito. Fiz mais uma ligação para casa, para compartilhar com a Paula, que eu estava acabando. Logo mais a frente ainda avistei a parceira de agrura dos kms anteriores, e ainda a incentivei a chegar firme e correndo e tive forças para chegar apitando, quase no tempo limite, com 5h50, mas isso pouco importa, eu estava terminando a prova da qual havia desistido tantas vezes durante o caminho.

Agradeci aos céus ao passar no pórtico e deixei minha apitada final, que ficou registrada no vídeo da chegada.
Meus companheiros já estavam a tempos ali, só aguardando o lanterna, mas não menos contente e realizado, se não foi como eu gostaria que tivesse sido, foi muito mais difícil do que eu imaginava, e dessa conquista fica mais que uma medalha, fica um grande aprendizado, e uma experiência tremenda que vai ficar para as próximas que ainda virão. O estrago maior só fui ver no dia seguinte, já em casa, depois da tranquila viagem de volta com meus companheiros de jornada. O pé amanheceu inchado e vermelho. A inflamação desceu para o tornozelo, e uma visita ao PS não mostrou nada grave, mas serão 3 semanas de tratamento, gelo e longe dos treinos. Porém fica a certeza de que faria tudo de novo, pois desistir antes de tentar teria sido muito mais frustante.
Fica aqui registrado meus agradecimentos especiais a todos aqueles que contribuíram para essa viagem, meus companheiros de jornada, Fábio Namiuti (leia seu relato aqui), Tonico, Edson Pontes e Aldo Lopes; O Vinícius Veneziani, que levantou o patrocínio da Construtora Tabaporã e da Galter Imóveis, conceituadas empresas do ramo imobiliário de Caraguatatuba, e que apoiam o esporte amador; Os companheiros de 100 Juízo e de tantos treinos; O Matheus Henrique, que me avisou que ia doer; A minha família, a Paula, o João Paulo e a Ana Luiza, que me apoiam e ficam felizes pela minha realização e a Deus, que nos dá a força para superar as dores e todas as adversidades que encontraremos na Maratona da Vida.

PS: Findo o relato, por essas coisas que as redes sociais nos possibilitam, me informaram que o ultramaratonista que me trouxe água por duas vezes, e me deu uma tremenda força para terminar a prova foi o Marco Santos, o qual agradeço profundamente aqui.

Agradecendo aos céus!

Agradecendo aos céus!

Apitando no Rio de Janeiro!

Malucos do Asfalto rumo ao Rio!

Malucos do Asfalto rumo ao Rio!

Demorou, mas chegou o final de semana da Maratona  Caixa da Cidade do Rio de Janeiro. Sinceramente não estava nos meus planos, mas quando o Vinicius Venezieni surgiu com o patrocínio para 8 Malucos do Asfalto da 100 Juízo, da Construtora Tabaporã e da Galter Imóveis, conceituadas empresas do ramo imobiliário de Caraguatatuba, e que apoiam o esporte amador, nem pensei duas vezes: Lá vamos nós de novo correr no Rio de Janeiro!

Ainda em tratamento da torção do tornozelo, comecei a fazer as contas se daria tempo de entrar em forma em apenas 40 dias. Até consegui com um treinamento intensivo, mas o corpo cobrou, e vou pro Rio com o Tendão de Aquiles ainda inflamado. O teste final dele vai ser nos primeiros quilometros da Maratona, e tenho certeza, que ele vai aguentar firme e me levar até o final!

Então, se você escutar um apito na orla carioca domingo de manhã, pode saber que O Corredor do Apito está passando!

Seven days!

Correr uma Maratona requer uma programação longa, são pelo menos 16 semanas de treinamento. Quando torci o pé no dia 03 de abril, e fiquei parado em tratamento até o dia 20 de maio, todo o meu planejamento para a Maratona do Rio (dia 07 de Julho) ficou prejudicado. Me restaram  6 semanas para recuperar o condicionamento físico, aumentar a rodagem e estar apto a correr os 42km. Ainda pensei em trocar a inscrição para Meia, mas estas já estavam encerradas, então, foi planejar um “treino intensivo”, sabendo que correria alguns riscos nessa preparação.
Quando fiz o treino da Volta ao Banhado no dia 16 de junho, completando 29,5km, achei que ainda não estava pronto. Na semana seguinte fiz mais um treino, dessa vez de 32km, para buscar a confiança, e encontrei, ao fazer mais duas voltas dentro do Parque Vicentina, depois de já ter corrido 30km nas ruas.
Três dias depois, na quarta-feira, dia 26, treinando tiros no mesmo Vicentina Aranha, comecei a sentir o Tendão de Aquiles após a 5 volta. Parei, e depois que esfriou, doeu muito. Tendão inflamado por excesso de treino. Iniciei o tratamento, sem pensar na possibilidade de desistir da Maratona. Gelo, compressa quente, anti-inflamatório. Mas o tendão seguiu doendo muito nos dias seguintes, até que hoje, dia da Unimed Run, levantei sem dor alguma. Fui para prova, mas não para correr, mas sim rever os amigos, o que é sempre bom num momento como esse, e ainda aproveitei para tirar fotos da prova, que foi bem bacana, com uma chuva despencando minutos antes da largada, e que deixou o percurso bem pesado, ou seja, nada recomendado para alguém querendo uma recuperação rápida.
Ainda tenho mais alguns dias de compressa quente e anti-inflamatório, mas só de não sentir dores, tenho certeza de que estarei bem. Além do que, já sou escolado em ter lesões pré-provas chave, quem leu meu relato da primeira São Silvestre sabe como foi pisar num ouriço faltando 1 semana para corrida.

Sete dias! “Seven days” para espantar a uruca, afinal, com emoção é mais gostoso!

Seven days to the Marathon

Seven days!

 

Que venha a Maratona!

Último longão para Maratona do Rio: Treino de 32 km, visando chegar na prova alvo com confiança. A dor é inevitável, estar preparado para ela é que é o ponto chave. E assim vou para o grande desafio de 2013, acreditando, que apesar do menor tempo de treinos, e vindo de uma lesão da qual nunca tive antes em 4 anos de corrida, me sinto melhor do que no ano passado.

O treino da Volta ao Banhado seria o último, mas no final, achei que fiquei devendo, e chegar no Rio, com aquela sensação seria ruim. Então, me programei para esse longão, 14 dias antes da prova.

Com o Edson no Pq Vicentina Aranha

Com o Edson no Vicentina Aranha

O amigo Edson Cassiano foi o companheiro dessa empreitada, e as 7 horas os dois Malucos do Asfalto já estavam a postos no Parque Vicentina Aranha.

Percurso simples, sem grandes subidas. O objetivo era de completar, e ficar pelo menos 3 horas correndo. Mantivemos um ritmo até mais lento do que na semana anterior, um pouco acima dos 6:00/km. Mas que também baixamos e subimos em alguns trechos, conforme o percurso.

Correr na beira da Dutra, no trecho da Panasonic e da Jonhson é bem legal, apesar de estar na beira do asfalto, tem um caminho para pedestres, protegido pelo guard rail. Os caminhões passam rente, jogando vento e conseguimos manter um bom ritmo na subida. (Já falei sobre esse percurso: Correndo com segurança na Rodovia )

Já no trecho do Aquarius tem uma curta mas não menos dolorosa subidinha para chegar na praça do bairro. Ali falei para o Edson mentalizar a Av. Niemeyer, que é o divisor de águas da Maratona do Rio, subiu bem, vai chegar bem (assim espero).

Diz a lenda que passar por baixo do monumento japonês recupera todos os níveis de energia.

Diz a lenda que passar por baixo do Torii Japonês recupera todos os níveis de energia.

O Edson já tinha dado pinta que faria o treino mais curto, seguindo seu caminho direto para o Parque depois da Avenida Cassiano Ricardo. Ainda tentei dar um incentivo ao amigo, falando que se passasse por baixo do monumento Japonês, sua energia seria recuperada. Bom, logo após o Torii vem a descida do Colinas, até que dá essa impressão. Na avenida São João nos separamos, e segui pelo percurso em direção ao Esplanada.

A cara de satisfação em completar 32km inteiro.

A cara de satisfação do dever cumprido.

 

Acabei diminuindo as voltas que faria no bairro e cheguei no Vicentina Aranha com 29,5km percorridos. Mas não me abati, diferentemente do treino da semana anterior, dei mas duas voltas e meia no percurso do Parque e inteirei os 32k. Com a satisfação de que “Sim, eu posso!”

Dia 07 de julho o Rio de Janeiro me espere, pois, além de me sentir melhor, já conheço os atalhos da mais bela Maratona do Mundo.