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O Mundo é Bão, Sebastião! – Virada da Fé – 2015

Se para muitos o Treino da Fé começou após a Benção do Padre em frente da

Primeira etapa do desafio: Show do Nando Reis e os Infernais

Primeira etapa do desafio: Show do Nando Reis e os Infernais

Basílica de Tremembé. O meu foi Virada da Fé, e começou no sábado a noite, embalado ao som de Nando Reis e os Infernais, programa da noite com a minha Paula Fortaleza. Rock’n Roll e diversão, chegar em casa as 4 da manhã, e nem dormir pra pular da cama as 5 rumo a Tremembé.

A cidade ficou pequena para tanta gente reunida. Um primor de organização e união da Equipe 100 Juízo e todos os parceiros que fizeram acontecer esse tremendo evento que vai pro seu 5 ano consecutivo, e a cada ano melhorando e crescendo.

Depois de um café quente para espantar o sono e devidamente abençoado, partimos, cerca de 450 Malucos do Asfalto, rumo a Basílica de Aparecida, distante 41km.

Dessa vez o percurso seguiu pela Estrada Velha, sem os riscos e a poluição da Dutra, bem mais tranquila e segura. Cada qual com seu objetivo em mente e na capacidade das pernas. E eu ciente da minha capacidade, dificilmente faria os 41k, e sem cobranças, iria até onde as pernas aguentassem.

E “sem horas e sem dores”, sai tranquilo, fazendo do desafio diversão, acompanhando e sendo acompanhado pelos amigos, aproveitando para conhecer o novo percurso, com o sol despontando e mandando embora a neblina, mas não necessariamente trazendo calor.

Com a trilha do iPod aleatória nos fones, alternando canções leves e rocks mais fortes, mantive as passadas no ritmo que, acreditava, me levaria até o fim, pace de 6:15.

Já vi essa cena em algum filme...

Já vi essa cena em algum filme… http://migre.me/qpi3d

Os primeiros 10km tranquilos, nos levaram a Pindamonhangaba, e muito agradável correr pelas ciclovias, e com o apoio dos ‘marronzinhos’ nos cruzamentos e rotatórias.

Já chegando no km 20, em Moreira César, a noitada começou a pesar. As pernas que a menos de 5 horas atras pulavam no show do Nando Reis, mostravam que realmente é bão, mas doí tudo.

Foi por ali que encontrei o amigo e veterano, Sr. Toninho, tentei me animar na sua vitalidade para seguir, mas as pernas duras me fizeram o ritmo cair. Logo passaria por mim o Fábio, que eu passara em Pinda. Querendo desanimar de vez, vi a amiga Josy caminhando. Pensei comigo, se é pra ir caminhando, que seja com companhia, mas ao alcança-la revigoramos os ânimos e partimos num trotinho rumo ao km 25.

Correr uma maratona é isso, ajudar e ser ajudado o tempo todo. Quase sempre, aquele que pensa que você está ajudando a correr, ele sim, que está te ajudando a encontrar as forças para continuar.

Um ajuda o outro a chegar no km 25

Um ajudando o outro a chegar no km 25

A Josy foi resgatada pelo Claudemir, e eu segui, alternando trotes e caminhadas curtas, que foram ficando longas, quando no km 28 o Alex Marini passou de carro e ofereceu tudo o que eu não queria, mas as pernas pediam: carona.

Me largou uns 4km a frente, achei que tinha que chegar correndo, mas ai é que as pernas travaram de vez. A posição no carro endureceram as pernas e junto vieram as câimbras, alonguei um pouco e segui trotando e caminhando. Ao passar por um carro de apoio, perguntei a distância que faltava: 6km.

Foram os 6km mais longos que já corri, pois 2km a frente, perguntei de novo, e a resposta foi a mesma: 6km.

Essa plaquinha iludiu muita gente...

Essa plaquinha iludiu muita gente…

Ao avistar a subida que dá acesso a entrada da cidade de Aparecida, uma placa indicava Hospital em Aparecida 1,5km. Ledo engano, dali até a Basílica seriam ainda mais 4km que continuei fazendo alternados.

Foi ai que como que para terminar o desafio, começou a tocar Nando Reis e “O Mundo é bom Sebastião!”. A mesma balada na qual algumas horas antes pulávamos ao vivo com o Nando Reis no Clube Luso, e quando eu comecei a cansar as pernas. Deu um alento, pra chegar ao final, contornar a Basílica, passando a primeira entrada, onde muitos corredores terminavam ali seu desafio, mas segui devagar, mas rumo ao final oficial, dando a volta toda, passou em minha mente os momentos mágicos de quando completei a prova em 2014, aquilo que desejei um ano atrás, e estava ali novamente chegando, levando minha Fé comigo, e as novas resoluções e reflexões que fazemos ao longo do percurso, o que deixamos e o que buscamos para as novas etapas que se abrem na vida.

Galera reunida na frente da Basílica de Tremembé

Galera reunida na frente da Basílica de Tremembé

Se não fiz os 41km, fiz o que minhas pernas e a noitada me permitiram. Fiz o que os amigos me apoiaram, me empurraram e me ajudaram a completar nessa bonita festa da 100 Juizo. Nota 10 para todos os envolvidos, que se empenharam, buscaram fizeram e aconteceram. Cada vez mais gente participando, se envolvendo, e dando aquilo que pode, e até o que não pode, para fazer desse evento algo único não só no Vale do Paraíba, mas diria no Brasil. A estrutura que foi oferecida, gratuitamente aos participantes, deixa no chinelo muitas provas caras que acontecem por ai. Parabéns a todos e fica ai a certeza: Juntos somos sempre mais fortes!

4º Treino da Fé – Taubaté > Aparecida

Na primeira edição, em 2011, eu ainda não era um 100 Juízo, e tampouco morava em São José dos Campos. Na segunda, eu já estava por aqui, dei minha contribuição desenhando a medalha do evento, mas por algum motivo que não me lembro, acabei não participando do desafio. Ano passado eu estava pronto e treinado, mas aconteceu no mesmo dia que levei minha filha para embarcar para Jornada Mundial da Juventude, e tive que ficar de fora, apesar de também ter feito as medalhas e as camisetas.

Em 2014, não poderia ficar de fora de maneira nenhuma, e apesar de não ter treinado para a distância principal (42K), iria de qualquer jeito, na Fé, para completar o quanto as pernas aguentassem.

Momento de Oração.

Momento de Oração.

Se na edição do ano passado, o treino tenha se destacado, por coincidir com a visita do Papa ao Brasil, nessa, ele tomou proporções ainda maiores. Com o grande amigo Fábio Namiuti na coordenação e organização, e com a participação de toda a equipe, mais pessoas e grupos foram se agregando ao evento e trazendo não só mais participantes como também as doações de água, frutas, prêmios, etc, etc, etc.

Muita gente vindo de fora participando, como o José Robertos Fortes, que veio com a sua assessoria esportiva em peso, abrilhantando ainda mais nosso Treinão da Fé.

E bota Treinão nisso, vontade não me faltava, e após os preparativos finais, foto oficial do grupo e a Oração para Nossa Senhora aos pés do Cristo de Taubaté, a turma foi saindo em grupos conforme seus ritmos, e logo achei o meu.

Segui nesse início ao lado dos amigos Toninho, Ronaldo, Leandro e do Marcos Leandro, esse

A Dutra verde e amarela

A Dutra verde e amarela

último que indo para fazer 21k. Na minha cabeça achava até que poderia ir pra distância total, mas já conhecedor do que são 42k, sabia que lá na frente o bicho vai pegar.

Fomos sem atropelos e num bom ritmo, pace de 6:00min/km certinho, e apesar do risco de se correr na Dutra, estava tudo em segurança. A turma do apoio sempre em pontos seguros, mais parecia um pic-nic as margens da Rodovia, tamanha era a quantidade de produtos oferecidos aos atletas.

Estava bonito de se ver o verde e amarelo colorindo a estrada, e nesse momento senti muito orgulho em ser o autor da camiseta, e ter seguido a sugestão de cores dada pelo Toninho.

Os grandes parceiros de equipe.

Os grandes parceiros de equipe.

Para não dizer que não teve nenhuma ocorrência, teve sim. Não me lembro ao certo a distância percorrida, mas passou um chevettinho que deixou um forte cheiro de gasolina, e logo a frente esse carro pegara fogo, já estava controlado, inclusive auxiliado pelo pessoal do apoio, mas quando passamos por ele, as rodas estavam em brasa.

Fui seguindo bem até metade da prova, por volta do km 22, veio uma barreira mental. Essa foi a maior distância que eu treinei nesse ano, dali pra frente eu já estaria no lucro. Foi mais ou menos por esse trecho que encontrei o Alex Marini, o qual já conhecia da turma, mas foi a primeira vez que batemos um papo e oficialmente nos conhecemos, demos boas risadas, enquanto fomos deixando o ritmo ir caindo, alternando com caminhadas, mas quando víamos alguém fotografando, apertava um trotinho, sair na foto andando jamais. Fui com ele até o km 25. Ali entreguei os pontos, e acabei aceitando a carona dos “Vanelli”, indo de carro até o km 35.

Se a gente não correu tudo, pelo menos riu bastante.

Se a gente não correu tudo, pelo menos riu bastante.

Ali fiquei olhando a galera passar, já quase no acesso ao viaduto que entra em Aparecida, foi quando passou o Michel e me encorajou a finalizar os 7km que faltavam. E foram duros, voltar a correr depois de ter parado é mais difícil, as pernas já estavam travadas, mas fui seguindo como dava, somente com a Fé de chegar. Próximo a Basílica, somente comigo e minhas orações, avistei a melhor recepção que poderia ter ao terminar meu desafio, vendo meus amigos cada qual com suas conquistas, seus feitos pessoais, mas todos com a satisfação de terem feito muito mais do que um simples treino. Foi uma demonstração de Fé, amor ao esporte e amizade. Uma profusão de sentimentos e agradecimentos a Nossa Senhora basílicaAparecida por chegar, dolorido, mas inteiro, talvez mais leve por tudo aquilo que vamos refletindo e deixando pelo caminho, como numa peregrinação. Se não fiz os 42km totais, ter feito 32k foi além das minhas expectativas e condicionamento atual.

Aproveito para agradecer a todos que participaram e ajudaram para que esse evento fosse o que foi, e que possamos no ano quem faze-lo se não maior, melhor.

 

Leia também o relato do Fábio Namiuti