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Treino coletivo, treino solitário.

Domingo, se não tem prova, é o dia do meu Longão. Às vezes coletivo, às vezes solitário.

Domingo passado foi um treino coletivo com os companheiros de 100 Juízo, muito bom. Saímos do Parque Vicentina Aranha e seguimos para o Urbanova. O treino da turma era pra 22K, voltando do Paratehy, o meu era pra 18K, voltei um pouquinho antes.

Depois do treino a galera reunida no Vicentina.

Depois do treino a galera reunida no Vicentina.

O treino coletivo tem suas vantagens, com a companhia dos amigos, parece que ele vai fluindo melhor, e logo você acerta seu ritmo com alguém. Outra vantagem que tivemos foi que a amiga Vanda, impossibilitada de correr, mas não de participar, foi nosso Staff,  e montou um posto de abastecimento próximo ao GACC. Participar de um grupo de corridas tem disso, mais do que colegas de equipe, vamos nos tornando amigos, e participando do desenvolvimento do outro, a conquista de individual passa a ser de todos.

Na quarta um outro treino coletivo de sucesso da Equipe 100 Juízo, do qual não pude participar,  e acabei perdendo as “curvas alucinantes, subidas inesquecíveis, descidas maravilhosas e retas deslumbrantes” do percurso que o Edson Pontes preparou pelo Parque Aeronáutico Joseense. Fique só na vontade ao ver as fotos.

Então no Longão Solitário desse domingo de carnaval, para compensar o treino perdido da quarta, coloquei meu bloco para correr por aquelas bandas. Não me arrisquei a entrar no Jardim da Granja e procurar as tais “curvas alucinantes”. Fui no tradicional, seguindo pela Avenida dos Astronautas e retornando no Aeroporto.

Pausa pra foto no Museu Aerospacial

Pausa pra foto no Museu Aerospacial

Foi realmente um treino solitário, esqueci até do meu companheiro inseparável, o apito. E depois de tanto tempo correndo com o apito no pescoço, ele faz falta. É meu item de segurança, mesmo que não tenha tido necessidade de usá-lo nenhuma vez.

Hoje também testei uma nova fonte de energia. Como acabaram os energéticos em gel, comprei uma bananinha de Paraibuna para substituir. O gel é mais prático, abriu, manda pra dentro e bebe água, mas é ruim pra caramba. A bananinha é muito mais saborosa, mas tem que estar com a mandíbula treinada, é incrível como as pernas correm 20K de boa, mas mastigar a bananinha cansa a boca. Como achei que a absorção das calorias da banana seria mais lenta, mandei pra dentro no km 8, normalmente tomo o gel no km 10. Bom, não sei dizer se foi melhor ou pior, só que foi mais gostoso.

Concluindo: no coletivo trocamos idéias, contamos causos e nos divertimos bastante. O solitário é mais reflexivo, o pensamento vai longe, talvez a concentração no esforço seja maior, em compensação, no coletivo, se faltam pernas, o amigo ao lado te ajuda a terminar.
Mas seja Coletivo ou Solitário, treinar é tudo de bom.

XXXI Volta ao Cristo – Poços de Caldas

E a tão esperada Volta ao Cristo chegou. Desde que corri a primeira vez em 2011, retornei ano passado, e agora novamente. Essa prova vai fazer parte do meu calendário permanente de corridas, e como já escrevi aqui, todo corredor deve faze-la pelo menos uma vez.

Esse ano tive a oportunidade de não só de correr, mas de ser o cicerone dos amigos Fábio Namiuti e Luis Carlos Cândido na bela e aconchegante Poços de Caldas. Tenho certeza que eles não tinham a menor ideia do que esperava por eles lá, em todos os aspectos, e foi muito legal ver a surpresa e reação.

Tinha 100 opções, mas apesar de 100 Juízo ficamos na tradicional.

Tinham 100 opções, mas mesmo 100 Juízo, ficamos na opção tradicional.

Na véspera fizemos o passeio tradicional pelo centro da cidade, praças, e na 3 Canários, dentre uma variedade de 100 sucos diferentes, tinha até um Refresco Rosa, mas ficamos mesmo com a tradicional “A Moda da Casa”, sem querer fazer propaganda, mas a jarra de 1 litro da vitamina que leva 6 frutas na sua receita, custa R$ 5,90. Pelas bandas de cá, por esse valor tomaríamos somente um copinho e com menos frutas também.

Não recomendo a ninguém que não conheça a prova, a subir na véspera o Cristo pelo percurso da corrida, mesmo de carro ou moto. Mas se a vontade for tamanha, que o faça de bondinho, e para minha surpresa, os valores para subir foram ajustados a níveis populares. Muitas vezes voltei para trás ao ver o preço para o passeio, dessa vez subimos para alegria dos corredores turistas. Ótima iniciativa, que só faz valorizar e tornar acessível o turismo na cidade.

Depois do city-tour voltamos ao Quisisana, aonde fizemos um Quisi-tour. Quem conhece, sabe do que estou falando, e os amigos não tiveram nem a oportunidade de conhecer tudo. Mas aproveitamos bem do que precisávamos. A piscina e o ofurô de água sulfurosa. Depois do ping-pong e sinuca, jantar de massas e cama.

No domingo cedo, seguimos para o objetivo que nos levará a estar ali, a XXXI Volta ao Cristo. Como nos últimos dois anos, minha amiga e companheira de treinos, a veteraníssima Alda seguiu conosco, dessa vez ela declinou a correr, mas não perderia a largada por nada.

Esse índio marcaria meu ritmo no final da prova.Crédito: Antonio Colucci

Esse índio a carater marcaria meu ritmo no final da prova.
Crédito: Antonio Colucci

A Volta ao Cristo é uma corrida pra lá de especial. Tem uma atmosfera diferente, e a quantidade de amigos que encontramos é sem tamanho, e vou fazer como o Fábio Namiuti, se for citar algum, muitos ficarão de fora, mas todo esse astral contribui para sentir-se bem para o que vem pela frente.

Havia feito muitas teorias e simulações de como enfrentar as 4 etapas da prova (trecho plano, subida, descida e plano de novo) e durante as férias em janeiro fiz 2 subidas ao Cristo, que me ajudaram a ficar com o percurso na cabeça. Gostaria de conseguir subir sem andar, mas depois que a Maria Zeferina Baldaia, que ficou em 2º lugar na prova, nos confessou que foi a primeira vez que ela não caminhou na subida, em 7 participações, quem sou eu para querer fazer tudo correndo. Apesar que tenho certeza que não acompanharia o caminhar dela nem correndo a todo vapor.

Nosso script inicial estava saindo direitinho, mas ao avistar a subida da Assis Figueiredo, achei por bem alertar meus companheiros: “Esqueça tudo que planejamos, a partir de agora quem manda é a Montanha!”. Não sei se serviu de estímulo ou desânimo, mas a verdade é que nós a desafiamos, mas quem manda é ela. No posto de água no final da avenida e começo da estrada do Cristo o Fábio diminui seu ritmo e fui seguindo com o Luis, até onde imaginei mesmo que iria conseguir ir correndo, e em determinado momento as pernas passaram a andar naturalmente. O Luis seguiu em seu trote, e fui alternando caminhadas e corrida nos trechos menos acentuados. E assim fui, sempre mantendo o Luis no meu campo de visão, o Fábio não veria mais até a sua chegada.

Ouvir o Hino Nacional e ver em meio a neblina a Bandeira Nacional e o Senhor Veterano do Exército que ali saúda todos os participantes, além de emocionante e incentivador, é sinal que o Cristo está próximo. Na última subida corri alcançando o amigo Luis Carlos. Seguimos juntos ao tapete, aonde o Grande Lelo, que junto a todo pessoal da Secretária de Esportes organiza essa corrida com afinco e perfeição, cuidando de todos os detalhes que eu até desconhecia, e li no blog do amigo Colucci, alertava que a descida estava muito escorregadia.

Engatei a marcha, e hidratado parti para 3ª etapa da prova: a descida. Nunca havia passado ali com tanta lama, e num primeiro momento cheguei a esquiar alguns metros, consegui evitar a queda e fui tentando manter firmeza, até sentir segurança nas passadas, e ai “sentar a bota” na descida. Foi minha melhor descida, e compensei todo tempo perdido na subida. Quando chegou no asfalto até diminui um “cadinho”, como dizem os mineiros, mas logo retomei o ritmo forte.

No bairro da Vila Rica a população saudava os corredores, e quando não o fazia eu apitava e ai era ovacionado. Achei mais uma utilidade de se correr com o apito.

O Corredor da Maraca e o Corredor do Apito. Crédito da Foto: João Brás Crédito da legenda: Fábio Namiuti

O Corredor da Maraca e o Corredor do Apito.
Crédito da Foto: João Brás Teixeira
Crédito da legenda: Fábio Namiuti

No final da prova, faltam pernas, e só a vontade de chegar te empurra, mas tive a ajuda da maraca marcando o ritmo do Índio, que correu a carater e descalço. Eu havia passado por ele no trecho de lama, mas ele já estava na minha cola, e consegui acompanha-lo até quase a entrada do Estádio, aonde a prova é finalizada, com muita alegria e agradecimento aos céus e a Nossa Senhora, que sempre corre comigo.
Das três vezes que participei, essa foi a mais difícil. Dificuldades extras, que não tive nas outras vezes, como chuva e lama, mas com a satisfação de correr com os amigos e fechar os 16km em 1h40m22s, minha melhor marca e 6 minutos mais rápido que no ano passado.

A satisfação dos corredores com a 2ª colocada Maria Zeferina Baldaia

A satisfação dos corredores com a 2ª colocada Maria Zeferina Baldaia

Ano que vem, faça chuva ou faça sol, estaremos lá de Volta ao Cristo, mas é bem provável que faça chuva, sol, chuvisco, neblina, e se bobear pode até nevar.