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Nem só de corridas vive o homem: A escalaminhada do Pico dos Marins

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Diante de um desafio sem precedentes pela frente, muitas coisas se passam na sua cabeça. Quando nos vimos no Acampamento Base do Marins, desencontrados de nosso guia, e com toda trilha e escalada a fazer  muita coisa veio em mente, mas desistir foi algo que não pensamos em momento algum.

Quando eu e a Paula aceitamos o convite que o amigo montanhista de longa data Carlos Alberto, o Beto, fez para essa escalada, nem imaginávamos que as dificuldades já começariam ao ficarmos parados por mais de 1 hora na Via Dutra, o que provocou o desencontro que seria no Graal Clube dos 500. Seguimos direto para Piquete rumo ao Acampamento Base, sem saber que a subida de carro já fazia parte da escalada. Em alguns trechos o carro patinava no cascalho empoeirado, estrada de difícil acesso, mas de rara beleza, e a cada curva, avistávamos o maciço de pedra, nosso motivo de termos acordados na madrugada gelada de inverno em nosso primeiro dia de férias.

No Acampamento Base, meio sem rumos pelo desencontro, mas logo, nos  identificamos com outros amigos do grupo, que ainda nem conhecíamos, e que assim como nós, se atrasaram no transito. O Norio seria nosso Guia, e a Daniela e a Jessica seriam nossas professoras de trilha, e mais companheiros foram se chegando e fazendo as devidas apresentações. Nossa turma inicial da trilha ainda teria o Bruno, o Marcelo e o Fernando, o cara que não sente frio.

Marinheiro de primeira viagem em trilhas e escaladas, calculei mentalmente o ritmo para percorrer os 6km até o Cume dos Marins no tempo das 4 horas previstos, em bem lento, então, quando fizemos o primeiro km em apenas 15 minutos, não deu pra ter a noção do que nos esperava a frente, até porque o início é só uma trilha na mata de baixo grau de dificuldade.

Aos poucos vamos pegando o ritmo, e a cada parada para um descanso muitas fotos da Serra da Mantiqueira, que é bonita de qualquer ponto, mas vai ficando mais linda na medida que subimos.

Minha preocupação era de cumprir o tempo programado de subida para

Falta muito!

Falta muito?

descermos sem atropelos. Como nunca fiz uma trilha desse tipo, e como nem imaginava o que nos esperava pela frente, achei que o Norio mantinha um ritmo bom, apesar de a Paula, às vezes, ficar um pouco para trás na companhia das meninas, o que nos fazia aguardar para que o grupo subisse junto.

Mais ou menos na metade da subida encontramos com o Beto, que seguiu o início por outra trilha, e ao invés do que imaginávamos, vinha atrás. Continuamos no nosso ritmo, enquanto ele passou com a turma mais ligeira.

Na medida em que se sobe o grau de dificuldade vai subindo também, e sentimos também a falta de um equipamento adequado, como tênis com solado específico e luvas. Itens que já nos prontificamos em investir, se formos seguir agora na vida de montanhista.

O último paredão a ser escalado.

O último paredão a ser escalado.

A vista do alto parece cena de filme, sentiamos como os Hobbits em sua jornada, andando pelas montanhas da Terra Média, e que na próxima curva avistaríamos o Olho de Sauron. Mas o que víamos sempre era o maciço de pedra, imponente e distante, como a nos desafiar a continuar em nossa trilha para conquistá-lo.

No último platô, um misto de estar perto da realização, mas ao mesmo tempo, o medo de escalar talvez o trecho mais íngreme e difícil. Muitos ficam por ali, pelo cansaço ou mesmo pelo medo de enfrentar o paredão de pedra que leva ao cume, mas em nossas cabeças isso não passou, seguimos firmes e fomos recompensados pela mais bela vista que já tivemos.

A alegria de sentir a energia do objetivo alcançado.

Quem acredita sempre alcança!

Um misto de realização, de superação, de alegria e de agradecimento por estarmos ali, no topo a 2.430 metros. Aonde chegamos com nossas próprias forças, após mais de 4 horas de escalaminhada.
Pausa para fotos, um lanche e as mais belas imagens que nem em sonho imaginamos. Mas não poderíamos ficar muito tempo. Muitos escalam o Pico, acampam e voltam no dia seguinte, o que não era nosso caso, fomos para subir e descer, o que é muito desgastante, só que eu não tinha noção desse desgaste todo para Paula. Acostumado a correr longas distancias, sentia as dores dos músculos que foram forçados na escalada, mas minha amada Paula, em certo ponto chegou ao seu limite de forças, e ali, diante do caminho de volta, a Montanha cobrava a ousadia de ter subido sem o devido preparo físico. Nessa hora é que nossos anjos apareceram. Já escrevi sobre eles, de como fui e encontrei anjos ao desafiar a Maratona do Rio de Janeiro 2013 com uma contusão, do quanto o incentivo e ajuda se faz necessário e é nessas horas que os anjos aparecem.

No topo do Marins com o responsável por isso tudo, o Beto.

No topo do Marins com o responsável por isso tudo, o Beto.

Na montanha é que vemos o real sentido do companheirismo, pessoas que acabamos de conhecer, fortalecem os laços de uma amizade que começou ali, na subida. Os mais experientes nos dão dicas importantes e inclusive nos auxiliam como o Marcelo Suguyama, que levou a mochila da Paula, depois de ter ajudado um amigo cão, que encontramos no caminho, a descer um trecho complicado. Na montanha a solidariedade e carinho não tem raças nem espécie.

A nossa turma lá no alto!

A nossa turma lá no alto!

Nosso Guia Norio, manteve-se sempre alerta e junto a nós, que éramos os últimos da turma. A Daniela não arredou pé, e seguiu sempre ao nosso lado, compartilhando inclusive suas forças, quando se fizeram necessárias.

Meu medo era o de chegarmos ao final de noite, e isso acabou acontecendo. Já próximos ao Acampamento Base, o Norio foi buscar um carro para nos “resgatar“. As dificuldades finais deram ainda mais valor a tudo que passamos nesse dia. Para mim, a sensação das pernas era a de ter terminado de correr uma Maratona, imagino então que Paula estava aquém dos seus limites, guerreira, demonstrou toda sua FORTALEZA ao encarar essa aventura ao meu lado.

O que aprendi na minha primeira trilha e escalada: Na corrida de rua somos

O Garmin não mente: 4 horas de trilha, 6km percorridos e os 2.430 metros de altitude alcançados.

O Garmin não mente: 4 horas de trilha, 6km percorridos e os 2.430 metros de altitude. Agora volta tudo!!!

mais competitivos buscando a superação de marcas pessoais. Na montanha o ritmo é outro. A atenção constante na trilha e o envolvimento com a natureza e a beleza da paisagem te levam a uma outra dimensão, enquanto na corrida muitas vezes nos concentramos em pensamentos e idéias (aliás muitas boas idéias e soluções acontecem na oxigenação de um treino de corrida), na escalada o desligamento é quase que total, um relax total da mente. Bom, comigo foi assim. Aprendi também que nos momentos de dificuldades temos nos companheiros de trilha, verdadeiros amigos, prontos a compartilhar, ensinar e ajudar.

E finalmente, que na Montanha, quem manda é ela. (isso eu já sabia depois de correr varias vezes a Volta ao Cristo em Poços), mas ali tivemos mais uma vez a certificação dessa máxima. Preparo físico, equipamentos, solidariedade e determinação são itens indispensáveis ao desafio, mas acima de tudo sem o respeito à natureza e a sua energia, sabedor de que ela é que nos permite desafia-la e atingir o objetivo e por isso, para terminar só posso dizer: SOU GRATO!

2014: corri pouco, mas a diversão foi grande!

Fim de ano, hora do balanço geral: 2014 foi um ano atípico na minha vida de corredor. Pela primeira vez, desde 2009 não ultrapasso a marca de 1000 km rodados, cheguei bem perto, mas não corri nem 70% do volume do volume do ano passado, quando rodei 1.425km.

Não tive nenhuma contusão grave, mas tive interrupções leves, cirurgias, e tratamentos que diminuíram o ritmo de treino, mas nem por isso fizeram meu ano menos divertido. Então vamos aos meus destaques do Ano:

(para ler mais sobre os destaques, clique nos títulos e leia os relatos completos)

Galera 100 Juízo em Barueri 2014!

Galera 100 Juízo em Barueri 2014!

O último e difícil km registrado pelo Jorge Ultramaratonista.

Volta ao Cristo no registro do amigo carioca Jorge Ultramaratonista.

XXXII Volta ao Cristo (26/Jan)A cada ano a turma da 100 Juízo aumenta, prestigiando essa que é uma das melhores corridas do Brasil, em todos os aspectos. E a cada ano melhoro meu tempo um pouquinho, nesse que também é um dos percursos mais desafiadores do circuito.

15K de Barueri (30/Mar): Todo ano uma grande surpresa. A revanche com o Tonicão não deu nem graça, só a massagem no fina. Organização nota 10 e gratuita. Sempre deixa boas lembranças e vontade de voltar.

Treino da Fé – Taubaté – Aparecida (1º/Jun): O Treino mais especial do ano, se não fui para fazer o total de 42km, percorri 32k, para chegar no abraço da Basílica de Aparecida. Momentos mágicos que só o mundo das corridas podem nos proporcionar.

A Dutra verde e amarela

A Dutra verde e amarela

Unimed Run (29/06): Meu melhor tempo de2014 nos 10k: 47m21s

Foi porque quis, agora sobe ai e não reclama!

Subindo a Ladeira

Treinão Ladeiras da Penha (14/12): Se já havia encerrado minha temporada de corridas, quando surgiu o convite de última hora, fui meio sem saber o que esperava, e pude participar de um dos mais legais treinos e evento esportivo na minha terra natal. Correr com os amigos pelas ladeiras da Penha (tá bom que na última foi andando), foi o Treinão para fechar meu ano esportivo.

 

 

Números finais:

Total percorridos: 979,4 Km
Total em minutos: 5.448 minutos (90h47m)
Volume mensal médio: 81,6 Km
Mês com maior Volume: Junho (118,8 km)
Pace médio do ano: 5:33 min/km
Dia da Semana em que mais corri: Domingo (497,37km)

Total de Provas: 12
Km total em Provas: 111,6k – Pace médio: 5:13 min/km
Prova mais longa de 2014: XXXII Volta ao Cristo – 16K (1h38m20s)
Melhor Pace: Corrida da Longevidade Bradesco: 6k em 28m16s – Pace de 4:42 min/km
Melhor Prova de 10k: Unimed Run: 47m21s – Pace de 4:44 min/km
Treino mais longo: Treino da Fé: 32km – 3h43m

Como eu sei desses números? Eu uso a planilha de registros do Fabio Namiuti
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Se fiquei um pouco afastado dos treinos e eventos da 100 Juízo, principalmente por incompatibilidade de datas, não deixei de contribuir com aquilo que sei fazer. O grande diferencial de 2014 foram as camisetas personalizadas e alusivas aos treinos, que graças ao empenho da Diretoria, e do apoio dos patrocinadores, tornaram-se realidade, coloriram e abrilhantaram ainda mais as atividades da equipe, e para 2015 muitas novidades virão!
Até lá!!!

Camisetas

Eu voltei: XXXII Volta ao Cristo – Poços de Caldas/MG

Agora sim meu ano esportivo começou. Ainda pegando ritmo nos treinos, fui pra Poços de Caldas sem ter treinado especificamente para essa prova, mas com três participações consecutivas na bagagem, o que já me faz, de certa forma, conhecedor dos “atalhos” dessa que é uma das mais difíceis provas do Brasil.
Viagem tranquila na véspera com os amigos da 100 Juízo. Dessa vez foram conferir a encrenca comigo o Mourão, o Natanael, o Carneiro e a Camila. Fora os que já haviam seguido antes.

Carneiro, Eu, Itimura e Mourão!

Carneiro, Eu, Itimura e Mourão!

Não adianta você dizer para um corredor que não conhece a prova, que ele vai andar ou sofrer na Volta ao Cristo, alguns mais experientes até se ofendem com essa afirmação. Resta dizer: Vai lá e conheça a temida e exuberante subida do Cristo.

Depois todos se rendem não só a dificuldade que enfrentaram, mas também a beleza e peculiaridades únicas que essa corrida apresenta, e a cada ano, a turma dos “Malucos do Asfalto” que vão conferir a encrenca só aumenta.

Atá o Psy correu a Volta ao Cristo! Brincadeira, esse é o meu amigo Eder de Ribeirão Preto.

Até o Psy correu a Volta ao Cristo! Brincadeira, esse é o meu amigo Eder de Ribeirão Preto.

Além de toda a mística e diferenciais que a Volta ao Cristo tem, é um tremenda confraternização de amigos, alguns que vemos mais, outros que vemos menos, e muitos que só conhecemos nas redes sociais. Atletas que admiramos pelas suas façanhas, carisma ou tão somente pela amizade compartilhada na paixão pelo atletismo. Tem que chegar cedo na largada, para ver e conseguir cumprimentar todos mundo.

Estreando em provas na minha nova categoria “Veterano B” (45 a 50 anos) e me sentindo também como um veterano na prova, após a ativação do chip, me posicionei nem tanto a frente, mas nem tanto ao fundo. A Volta ao Cristo só tem tempo bruto, largar bem posicionado é importante.
Decidido a tentar baixar meu tempo, mesmo sem o devido preparo, já aprendi que não adianta querer brigar com a subida, como é ela que manda, a diferença tem que ser feita na parte plana, dividi a prova em 4 partes e cada uma delas com um desempenho específico:

1ª parte: 5km plano (correr no meu ritmo forte, na casa dos 5:00 min/km);
2ª parte: 4,5 km subida (caminhada/trote/caminhada);
3ª parte: 4,5 km descida (sentar a bota e extrapolar na descida);
4ª parte os 2 km finais de plano (superação para finalizar).

Apesar do calor, mantive na 1ª parte o ritmo próximo a 5:00 min/km, chegando na placa de 5km com pouco mais de 25 minutos. Correndo focado, mas sem deixar de me divertir, apitando e pedindo incentivo aos espectadores que ficam nas calçadas assistindo a galera correr, e que ao ouvir o apito gritavam e aplaudiam. Fui encontrando amigos pelo caminho, correndo ou assitindo.

No início da 2ª parte já na subida da Av. Assis Figueiredo o veloz companheiro Carneiro me passou, e o meu ritmo foi caindo naturalmente,  faria o 6 km em 6m19s. Peguei água no posto do início da mata, e ali, bem antes que no ano passado, comecei a caminhar. Intercalando caminhada e corrida, mais caminhada que corrida, segui apreciando a bela mata do Morro de São Domingos, e aproveitando para fazer amigos, encontrar mais gente conhecida e até leitores do blog.
Foi engraçado quando dois cachorros passaram correndo a todo vapor entre os “corredores caminhantes”, e ainda pararam na frente, fizeram as necessidades e voltaram a correr, como a desdenhar de todos nós, só faltou falarem: “cuidado para não pisar.”
Segui na caminhada/trote/caminhada até escutar o Hino Nacional, avisando que o Cristo está próximo e avistar o Seu Gonçalo, veterano e ex-combatente do Exército a homenagear os atletas. Após saudá-lo, fui inflamado a apertar o passo, e até ritmar para galera, para finalmente chegar ao Cristo. Os paces dessa etapa foram na casa dos 10min/km e fechei o 9km com 1h05 de prova. Muita água na cabeça, agradecimento aos Céus, respirei e iniciei a 3ª parte da prova.
Bem diferente ao ano passado, estava muito seco, e o cascalho solto no canto da estrada pode ser perigoso, convém usar o meio e buscar o chão batido, e nos trechos perigosos, alguns até sinalizados, manter toda atenção. Eu teria que fazer os 7km restantes em 35 minutos, se quisesse ao menos igualar ao ano anterior. O km 10 foi feito em 5:27 minutos, mas depois embalei em alucinada carreira, fazendo os paces mais incríveis da vida (km 11: 4:36 – km 12: 4:33 – km 13: 4:21 e km 14: 4:25). Fechei a 3ª parte com 1h28m. O meu recorde estava a dois quilômetros de distância, e bastava manter o ritmo proposto, o km 15 fiz em 5:15 e entrei no último e mais difícil km de toda a prova. No trecho de serra, a mata mantém a temperatura fresca, mas ao voltar para cidade, o sol e o calor pegaram de vez. Já sabia que isso aconteceria e ali as pernas simplesmente travam. Esbocei uma caminhada, mas passou um corredor me incentivando, não deixei a peteca cair.

O último e difícil km registrado pelo Jorge Ultramaratonista.

O último e difícil km registrado pelo Jorge Ultramaratonista.

Foi quando passou o carioca Jorge Ultramaratonista, que veio conhecer o Cristo mineiro, e registrou esse momento. Faltando 500 metros para terminar a prova, mentalizei e apertei o ritmo. Na entrada do Estádio a veterana e amiga Dona Alda aguardava torcendo e me acompanhou até o portão. Adentrei o Estádio Ronaldo Junqueira apitando a plenos pulmões, saudando e sendo ovacionado, e até o “grande” Lelo, da Secretaria de Esportes, anunciou no microfone a chegada em grande estilo do atleta da 100 Juízo, o “Corredor do Apito!”. Deixo aqui meu registro de parabéns a toda equipe da Secretaria de Esportes pela ótima organização, e por estar sempre buscando corrigir e melhorar a prova a cada ano.
Chegada mais que emocionante e comemorada, ultimo km com altos 6:09min/km mas suficientes para fechar a prova com 1h38m20s, dois minutos mais rápido que em 2013. Medalha, com novo lay-out no peito, e uma certeza no coração:
Volta ao Cristo, em 2015 a gente volta!

A Zeferina dessa vez chegou em 3º mas não deixou de esbanjar a simpatia de sempre.

A Zeferina dessa vez chegou em 3. mas não deixou de esbanjar a simpatia de sempre.

Dia dos Pais: 18ª Corrida do Centro Histórico

A galera de São José dos Campos estava grande.

A galera de São José dos Campos estava grande.

Filho de pai corredor, tem que esperar a corrida acabar para dar seu abraço. Meu dia hoje começou cedo: 4h15 da madrugada já estava me arrumando de pé para mais uma corrida na Terra da Garoa com os amigos. Mais uma vez presenteado numa promoção do Facebook pela Líquido, dessa vez o bonde da 100 Juízo seria com o Fábio (Relato do Fábio), o Tonicão, o Elias e o Giovani. Os outros amigos encontraríamos por lá. Ainda imaginava dar mais um cochilo durante o trajeto, mas com esses companheiros é impossível: e tome risada pela viagem tranquila e rápida.

Chegamos cedo no Centro Histórico da Capital Paulista, ainda juntos com a organização da prova, que ainda estava montado o local. A prometida garoa não apareceu, mas a manhã estava bem fria, e os “moradores” da Praça da República nem se incomodavam, ainda, com a movimentação diferente, e seguiam embrulhados em suas “tocas”.

O Grande Maestro José Eduardo Martins!

O Grande Pianista e Professor José Eduardo Martins!

Café para acordar, e nos encontramos com o resto da turma, que estava grande com a “Tropa de Elite” arrebanhada pelo amigo Mineiro para correr com a Líquido.
Se no dia dos pais não pude dar um abraço no meu pai, pude encontrar seu amigo, o Pianista e Professor José Eduardo Martins (Conheça seu blog aqui) e abraçar esse ilustre corredor. Já estivemos várias vezes na mesma prova, inclusive na minha primeira São Silvestre em 2009, mas foi a primeira vez que nos encontramos.

Os preparativos pré-prova (guarda-volumes e banheiro) acabaram tomando mais tempo, por sorte conseguimos uma brecha para largar na frente, logo atrás do pelotão de elite, mas sem o devido aquecimento, porém o grande número de corredores fez a prova começar muito lenta. Largamos na Ipiranga e viramos na São Luis em ritmo de aquecimento. Na Rua Maria Paula fecharíamos o primeiro km com altos 5:56. Seguimos juntos, eu, o Fábio e o Tonico, um abrindo caminho para o outro, logo o Wagner, que está contundido, e correndo num ritmo mais baixo do que o seu normal, passou a puxar a turma. Seguimos a esquerda na Brigadeiro Luiz Antonio, mas nesse trecho ela não bota medo como na São Silvestre, seguindo até a primeira volta, fazendo o retorno passando pela Senador Feijó, Quintino Bocaiuva, Riachuelo e voltando para Brigadeiro, já fazendo no segundo Km um pace desejado de 4:52.
O percurso é muito bonito, e vale a pena ficar atento aos prédios históricos que vão passando.

Voltando pegamos o Viaduto Dona Paulina, aonde encontraríamos o Ricardo Mourão, identificado

Wagner de laranja puxando a fila dos 100 Juízo

Wagner de laranja puxando a fila dos 100 Juízo

de longe com a camiseta alusiva do “Treino de Aparecida”, e passamos juntos pela Praça João Mendes, virando no Tribunal de Justiça e seguindo em direção a Praça Clóvis Beviláqua. O terceiro km foi ainda melhor 4:36, seguindo firme na cola do Wagner, o coelho de elite. Mais ou menos nesse ponto, um portal registrava o momento e postava instantaneamente no Facebook, muito legal, e ficou o registro da nossa que continuava junta: Wagner, eu e o Fábio.
Passamos pelo Patio do Colégio, local aonde a cidade nasceu, e resgataram lembranças da minha infância na capital. Viramos na Libero Badaró e seguimos ao Viaduto do Chá.
Muito legal também o som do rock tocado pelas bandas estrategicamente colocadas ao longo do percurso, ecoa pelos prédios, e ajuda a manter e até a aumentar o ritmo, e assim segui firme, na cola do Wagner, que experimentava uma corrida diferente, correr devagar, mas para mim estava forte, e continuei conseguindo manter. Passamos pelo Viaduto do Chá, viramos em direção Largo da Memória e retornamos na Praça Dom José Gaspar, fazendo uma volta e retornando Rua 7 de Abril, e fazendo nova volta em torno do imponente Teatro Municipal. A essa altura, já passados 6km de prova, fiquei somente eu na cola do Wagner, e perdi o Fábio de vista. Voltamos pelo Viaduto do Chá, agora em direção a Santa Efigênia, e quase defronte a Igreja, viramos na Rua do Seminário, aonde relembrei do Restaurante Fuentes, aonde meu pai nos levava para comer uma deliciosa Paeja, mais lembranças da infância, e mais uma voltinha passando pelo Largo do Paissandu e retornando para Santa Efigênia, ao som de “Welcome to the Jungle” tocada por uma banda rock só de mulheres. Se no km 7 o pace foi de 5:06, ele seria recuperado no 8º, voltando a casa dos 4:45. Só faltava retornar a Avenida Ipiranga e voltar ao ponto de partida, mas ainda restava um último cotovelo na Avenida São João. O relógio marcou os 9km com 44m20s, mas ainda restavam 450m, que deram de diferença entre a distância oficial e a registrada pelo GPS.

Chegada!

Chegada!

Depois da conferência no mapa, vou ficar com o GPS, e fechei 9,450km em 46m23s, o que teu um pace médio de 4:54/km. Do jeito que eu gostaria que fosse e que enche de satisfação pois estava ali somente para me divertir, e foi exatamente o que aconteceu, me diverti com meus amigos, fazendo o que gosto, na cidade aonde nasci e num percurso histórico e que ainda me trouxe boas lembranças. Depois disso só faltava mesmo voltarmos bem para casa, para receber o abraço da família e termos nosso merecido almoço do Dia dos Pais.

 

Maratona Cidade do Rio de Janeiro – 2013

Um ano depois, de volta ao Rio para a Maratona. Se em 2012 uma gripe na véspera me deixou baleado, dessa vez já cheguei contundido pelo excesso de treino no curto tempo que tive para me preparar. Mas se não estava inteiro, sobrava a vontade de estar lá, e essa superação poderia fazer a diferença.
Fomos então, os cinco companheiros de jornada: Eu, o Fabio Namiuti, o Tonicão, o Edson Cassiano e o Aldo Lopes, os dois últimos, debutantes na distância. Todos cheios de expectativas, e confiantes nas suas possibilidades.
A viagem foi tranquila, mas com o pesar da notícia do passamento do filho do nosso Capitão Zebra, quando já estávamos na estrada, seguimos de luto para o nosso destino.

Os Arcos da Lapa na decoração do Hostel Cidade Maravilhosa

Os Arcos da Lapa na decoração do Hostel Cidade Maravilhosa

A chegada no Rio também tranquila. Fila na retirada do Kit, mas que faz parte para entrar no clima, e com os kits na mão, seguimos para o nosso Hostel Cidade Maravilhosa, que fica na Gloria, no comecinho da subida para Santa Tereza. Caipiras no Rio, vamos aonde o GPS manda, e ele resolve falhar, quando já estávamos na esquina do Hostel, mas como se acreditar na informação do satélite fosse mais confiável do que a placa da rua na nossa frente, passamos reto. Caminho errado, mas que nos seu a possibilidade de dar uma volta completa em Santa Tereza, e conhecer, mesmo que dentro do carro, esse belo e pitoresco bairro do Rio, com suas ruas cortadas pelos trilhos do famoso Bonde de Santa Tereza. As vezes o errado dá certo.

Aldo, Tonico, Edson, Silvio, Vinicius e Fábio. Parte dos "100 Juízo" patrocinados pela Construtora Tabaporã e Galter Imóveis

Aldo, Tonico, Edson, Silvio, Vinicius e Fábio. Parte dos “100 Juízo” patrocinados pela Construtora Tabaporã e Galter Imóveis

A noite noite, jantar de massa no Catete, e encontramos a turma toda para um rodada de pizza carioca. Primeira vez na vida que vi pizza de salsicha, não sei dizer se é boa, pois não experimentei, fiquei nos sabores tradicionais, a moda carioca, como “pizza de queijo coalho” e no crepe, finalizando com uma pizza de chocolate com banana.

Findo o jantar, eu e o Edson preferimos voltar para o Maracanã, que era o nome do nosso quarto no Hostel, enquanto os outros seguiram de metrô para conhecer Copacabana, essa sim, a de verdade.

O sono foi leve, pulamos cedo e caminho rápido pela Linha Amarela rumo ao Pontal do Tim Maia. O motorista não perdeu tempo, dessa vez não errou o caminho, e chegamos com folga, comemos ali um segundo café da manhã, previamente comprado na véspera, o primeiro foi no Hostel.

100 Juizos no Rio!

100 Juizos no Rio!

Hora de rever amigos, parece que São José dos Campos baixou ali e pose para algumas poucas fotos. Estava arisco, ainda temeroso das minhas condições e do que me esperava, mas muito confiante, seguimos para alinhar na largada, que foi dada pontualmente as 7h30, mais alguns minutinhos para chegar no tapete de cronometragem, e as 7h34 estávamos correndo. Os primeiros quilômetros foram tranquilos, fui acertando o ritmo, e com uma leve pontada no tendão direito, mas totalmente controlável. Aqueci nos 3 primeiros km, num ritmo entre 6:30 a 6:00/km, e a partir dai pegamos a velocidade de cruzeiro: 5:50/km, que consegui manter com poucas variações até o km 10. Meus companheiros estavam logo a frente, dentro do meu campo de visão, e fui mantendo assim. O calor já começava a se mostrar, mas concentrado na minha perna nem percebi, só me dei conta de que o sol derrubara muita gente lá no final, segui sempre me hidratando bem nos postos de água, e me molhando bastante.
Passada a primeira hora, tomei meu primeiro CarboGel, e logo a frente por volta do km 15, tomei um gatorade, muito bem servido, gelado e em saquinhos. Mas ai, como diria o Capitão Zebra, começou a “azedar o pé do frango”. Talvez a mistura do gatorade com o gel tomado um pouco antes, enfim, precisava de um banheiro urgente. Ai fica uma boa dica para quem for correr no Rio, e que aprendi com o Matheus Personal, ele até marca em seu planejamento de prova os banheiros aonde vai parar: Nos postos de Salva Vidas, (tem um praticamente a cada km), tem banheiros, cuja a taxa de uso é de R$ 1,70. Leve sempre dinheiro, e se possível trocado para agilizar e não perder tempo.
Dei dois reais para menina, e nem peguei o troco, resolvi ali mesmo no km 16, em pouco tempo, mas retornar é que foi o problema, o pit-stop foi rápido, mas o tempo parado fez o tendão voltar doendo, e não consegui mais encontrar o ritmo que vinha impondo até ali, achei até que era o fato de encontrar corredores mais lentos na volta, mas não consegui mais baixar de 6:30/km. Fui tentando melhorar, mas ao chegar na metade da prova, a dor aumentou bastante. Cheguei no km 21, na Praia do Pepe, e a bela Pedra da Gavea, com 2h11m, era muito pouco acima do que eu esperava, mas sentia que já estava minado para correr a outra metade que me restava. Vi um cara sendo atendido no posto médico, fui lá e pedi também alguma coisa para passar no tendão, tipo aquele veneninho que passam na perna de jogador de futebol que parecia ter ficado aleijado, e o cara levanta correndo na hora. Era mais para efeito psicológico, e voltei a correr pensando aonde buscar forças para seguir adiante.

Ao iniciar a subida da Ponte da Joatinga, liguei para casa, eram 10 horas da manhã, e acordei a Paula, para buscar em seu incentivo a força que me faltava, e que ela me deu naquele momento. Mas ao entrar no Túnel do Joa, senti que não dava mais, e ali, o ritmo caiu e comecei a caminhar no escuro, a dor tomou conta. Nesse momento um monte de pensamentos vem a cabeça, e simplesmente calculei, que se seguisse andando não conseguiria nem chegar no tempo limite de 6 horas que temos para completar a prova. No trecho aberto do túnel, aproveitei para apreciar a bela vista do mar batendo nas pedras. Lamentei não estar com a câmera, afinal, se não iria mais correr, ao menos poderia fotografar, e no último trecho fechado, tocava música clássica, que ecoava por todo o túnel, o que deu um alento de tentar voltar a correr. É uma sensação totalmente estranha e diferente, a escuridão, a música, e no meu caso a dor, e a busca pela luz no final do túnel. Na saída do tunel, tem um contorno para entrar em São Conrado, e um posto de água, tinha ali um atleta parado, com dores, e com Kinésio Tape na perna direita, igual ao que eu estava usando. Perguntei para ele se era o tendão, e ele disse que era o tornozelo. Desejei forças pro cara, e segui minha caminhada. Naquele momento a corrida já havia acabado para mim. A temida subida da Niemeyer não me botava mais medo,

A cara de desolado do Alto da Niemeyer

A cara de desolado do Alto da Niemeyer

resolvi até aproveitar o sol, e tirei a camiseta, pelo menos volto pra casa bronzeado, subi apreciando a bela vista do alto. E assim, segui minha caminhada, aproveitando para conhecer outros corredores andantes como eu, como um senhor sergipano, que dizia que era a primeira e última maratona da vida, ou um professor de educação de física, que só me lembro que era de uma cidade cearense famosa por suas redes, com câimbra nas duas pernas, ele disse só ter vindo para acompanhar o pai, que naquela altura 3h30m de prova, já devia ter completado a prova. Nesse trecho o percurso passa por dentro da Favela do Vidigal, e tem uma vista muito bela, e algumas crianças incentivando os corredores por ali.
Foi nesse momento que apareceu o primeiro anjo corredor. João, o carioca que estava com o tornozelo estourado poucos quilômetros atrás, voltava, junto com um outro corredor, que ele chamava de Mineiro, e uma moça de nome Alexandra. Ao me ver andando, João disse que eu havia lhe dado força lá trás, e que agora, ele me daria forças para seguir em frente. Não tive como não voltar, chamei o Cearense para se juntar a trupe, mas ele declinou nos primeiros passos. E assim seguimos, conquistando cada km a frente, trotando, e controlando, passamos pelo 30, 31, 32 e fomos alternando, quando um parava o outro incentivava a continuar. Ao entrarmos em Ipanema, o Mineiro já tinha ficado pra trás. Eramos 3 e ali o João ficou também, suas dores aumentaram muito, ainda tentei incentivá-lo, mas não podia perder o ritmo do trotinho que ele me ajudara a pegar. Dos 4 guerreiros, restaram eu e a Alexandra, um tentando acompanhar o outro. E ai você segue tentando incentivar os outros, como um Santista que seguia andando, e eu fiz ele se juntar ao nosso trote, um km por vez, até o final de Vieira Souto. Ainda encontraria outro anjo corredor. Um cara, que nem fiquei sabendo seu nome, mas que é um ultra-maratonista, com o logo do Ironman tatuado na perna, disse que passou mal no começo da prova, e ficou somente a acompanhando e incentivando a esposa.

Aonde eu fui amarrar meu burro?

Aonde eu fui amarrar meu burro?

Logo no começo de Copacabana tem um ponto de distribuição de frutas e guloseimas, mas quando passei só tinha mesmo Maxi-Goiabinha, peguei uma, e sem água fiquei com aquilo entalado. Era mais ou menos o km 35 e o posto de água ainda estava longe, o cara correu até o posto de água, mais ou menos 1,5km a frente, e voltava com água para esposa, mas me deu dois copos, que não só desceram a goiabinha como serviram para um banho refrescante. Ele ainda faria isso mais uma vez, no trecho da Princesa Isabel. Entrar em Botafogo, avistar o Pão de Açúcar a direita e o Cristo Redentor a esquerda, não foi bem como eu havia sonhado nas minhas mentalizações para corrida, mas estava ali, chegando no Flamengo e faltando 2km para finalizar a prova, ali, por mais que tenha doído, senti que fiz o que tinha que ter feito. Fiz mais uma ligação para casa, para compartilhar com a Paula, que eu estava acabando. Logo mais a frente ainda avistei a parceira de agrura dos kms anteriores, e ainda a incentivei a chegar firme e correndo e tive forças para chegar apitando, quase no tempo limite, com 5h50, mas isso pouco importa, eu estava terminando a prova da qual havia desistido tantas vezes durante o caminho.

Agradeci aos céus ao passar no pórtico e deixei minha apitada final, que ficou registrada no vídeo da chegada.
Meus companheiros já estavam a tempos ali, só aguardando o lanterna, mas não menos contente e realizado, se não foi como eu gostaria que tivesse sido, foi muito mais difícil do que eu imaginava, e dessa conquista fica mais que uma medalha, fica um grande aprendizado, e uma experiência tremenda que vai ficar para as próximas que ainda virão. O estrago maior só fui ver no dia seguinte, já em casa, depois da tranquila viagem de volta com meus companheiros de jornada. O pé amanheceu inchado e vermelho. A inflamação desceu para o tornozelo, e uma visita ao PS não mostrou nada grave, mas serão 3 semanas de tratamento, gelo e longe dos treinos. Porém fica a certeza de que faria tudo de novo, pois desistir antes de tentar teria sido muito mais frustante.
Fica aqui registrado meus agradecimentos especiais a todos aqueles que contribuíram para essa viagem, meus companheiros de jornada, Fábio Namiuti (leia seu relato aqui), Tonico, Edson Pontes e Aldo Lopes; O Vinícius Veneziani, que levantou o patrocínio da Construtora Tabaporã e da Galter Imóveis, conceituadas empresas do ramo imobiliário de Caraguatatuba, e que apoiam o esporte amador; Os companheiros de 100 Juízo e de tantos treinos; O Matheus Henrique, que me avisou que ia doer; A minha família, a Paula, o João Paulo e a Ana Luiza, que me apoiam e ficam felizes pela minha realização e a Deus, que nos dá a força para superar as dores e todas as adversidades que encontraremos na Maratona da Vida.

PS: Findo o relato, por essas coisas que as redes sociais nos possibilitam, me informaram que o ultramaratonista que me trouxe água por duas vezes, e me deu uma tremenda força para terminar a prova foi o Marco Santos, o qual agradeço profundamente aqui.

Agradecendo aos céus!

Agradecendo aos céus!

Apitando no Rio de Janeiro!

Malucos do Asfalto rumo ao Rio!

Malucos do Asfalto rumo ao Rio!

Demorou, mas chegou o final de semana da Maratona  Caixa da Cidade do Rio de Janeiro. Sinceramente não estava nos meus planos, mas quando o Vinicius Venezieni surgiu com o patrocínio para 8 Malucos do Asfalto da 100 Juízo, da Construtora Tabaporã e da Galter Imóveis, conceituadas empresas do ramo imobiliário de Caraguatatuba, e que apoiam o esporte amador, nem pensei duas vezes: Lá vamos nós de novo correr no Rio de Janeiro!

Ainda em tratamento da torção do tornozelo, comecei a fazer as contas se daria tempo de entrar em forma em apenas 40 dias. Até consegui com um treinamento intensivo, mas o corpo cobrou, e vou pro Rio com o Tendão de Aquiles ainda inflamado. O teste final dele vai ser nos primeiros quilometros da Maratona, e tenho certeza, que ele vai aguentar firme e me levar até o final!

Então, se você escutar um apito na orla carioca domingo de manhã, pode saber que O Corredor do Apito está passando!

XXXI Volta ao Cristo – Poços de Caldas

E a tão esperada Volta ao Cristo chegou. Desde que corri a primeira vez em 2011, retornei ano passado, e agora novamente. Essa prova vai fazer parte do meu calendário permanente de corridas, e como já escrevi aqui, todo corredor deve faze-la pelo menos uma vez.

Esse ano tive a oportunidade de não só de correr, mas de ser o cicerone dos amigos Fábio Namiuti e Luis Carlos Cândido na bela e aconchegante Poços de Caldas. Tenho certeza que eles não tinham a menor ideia do que esperava por eles lá, em todos os aspectos, e foi muito legal ver a surpresa e reação.

Tinha 100 opções, mas apesar de 100 Juízo ficamos na tradicional.

Tinham 100 opções, mas mesmo 100 Juízo, ficamos na opção tradicional.

Na véspera fizemos o passeio tradicional pelo centro da cidade, praças, e na 3 Canários, dentre uma variedade de 100 sucos diferentes, tinha até um Refresco Rosa, mas ficamos mesmo com a tradicional “A Moda da Casa”, sem querer fazer propaganda, mas a jarra de 1 litro da vitamina que leva 6 frutas na sua receita, custa R$ 5,90. Pelas bandas de cá, por esse valor tomaríamos somente um copinho e com menos frutas também.

Não recomendo a ninguém que não conheça a prova, a subir na véspera o Cristo pelo percurso da corrida, mesmo de carro ou moto. Mas se a vontade for tamanha, que o faça de bondinho, e para minha surpresa, os valores para subir foram ajustados a níveis populares. Muitas vezes voltei para trás ao ver o preço para o passeio, dessa vez subimos para alegria dos corredores turistas. Ótima iniciativa, que só faz valorizar e tornar acessível o turismo na cidade.

Depois do city-tour voltamos ao Quisisana, aonde fizemos um Quisi-tour. Quem conhece, sabe do que estou falando, e os amigos não tiveram nem a oportunidade de conhecer tudo. Mas aproveitamos bem do que precisávamos. A piscina e o ofurô de água sulfurosa. Depois do ping-pong e sinuca, jantar de massas e cama.

No domingo cedo, seguimos para o objetivo que nos levará a estar ali, a XXXI Volta ao Cristo. Como nos últimos dois anos, minha amiga e companheira de treinos, a veteraníssima Alda seguiu conosco, dessa vez ela declinou a correr, mas não perderia a largada por nada.

Esse índio marcaria meu ritmo no final da prova.Crédito: Antonio Colucci

Esse índio a carater marcaria meu ritmo no final da prova.
Crédito: Antonio Colucci

A Volta ao Cristo é uma corrida pra lá de especial. Tem uma atmosfera diferente, e a quantidade de amigos que encontramos é sem tamanho, e vou fazer como o Fábio Namiuti, se for citar algum, muitos ficarão de fora, mas todo esse astral contribui para sentir-se bem para o que vem pela frente.

Havia feito muitas teorias e simulações de como enfrentar as 4 etapas da prova (trecho plano, subida, descida e plano de novo) e durante as férias em janeiro fiz 2 subidas ao Cristo, que me ajudaram a ficar com o percurso na cabeça. Gostaria de conseguir subir sem andar, mas depois que a Maria Zeferina Baldaia, que ficou em 2º lugar na prova, nos confessou que foi a primeira vez que ela não caminhou na subida, em 7 participações, quem sou eu para querer fazer tudo correndo. Apesar que tenho certeza que não acompanharia o caminhar dela nem correndo a todo vapor.

Nosso script inicial estava saindo direitinho, mas ao avistar a subida da Assis Figueiredo, achei por bem alertar meus companheiros: “Esqueça tudo que planejamos, a partir de agora quem manda é a Montanha!”. Não sei se serviu de estímulo ou desânimo, mas a verdade é que nós a desafiamos, mas quem manda é ela. No posto de água no final da avenida e começo da estrada do Cristo o Fábio diminui seu ritmo e fui seguindo com o Luis, até onde imaginei mesmo que iria conseguir ir correndo, e em determinado momento as pernas passaram a andar naturalmente. O Luis seguiu em seu trote, e fui alternando caminhadas e corrida nos trechos menos acentuados. E assim fui, sempre mantendo o Luis no meu campo de visão, o Fábio não veria mais até a sua chegada.

Ouvir o Hino Nacional e ver em meio a neblina a Bandeira Nacional e o Senhor Veterano do Exército que ali saúda todos os participantes, além de emocionante e incentivador, é sinal que o Cristo está próximo. Na última subida corri alcançando o amigo Luis Carlos. Seguimos juntos ao tapete, aonde o Grande Lelo, que junto a todo pessoal da Secretária de Esportes organiza essa corrida com afinco e perfeição, cuidando de todos os detalhes que eu até desconhecia, e li no blog do amigo Colucci, alertava que a descida estava muito escorregadia.

Engatei a marcha, e hidratado parti para 3ª etapa da prova: a descida. Nunca havia passado ali com tanta lama, e num primeiro momento cheguei a esquiar alguns metros, consegui evitar a queda e fui tentando manter firmeza, até sentir segurança nas passadas, e ai “sentar a bota” na descida. Foi minha melhor descida, e compensei todo tempo perdido na subida. Quando chegou no asfalto até diminui um “cadinho”, como dizem os mineiros, mas logo retomei o ritmo forte.

No bairro da Vila Rica a população saudava os corredores, e quando não o fazia eu apitava e ai era ovacionado. Achei mais uma utilidade de se correr com o apito.

O Corredor da Maraca e o Corredor do Apito. Crédito da Foto: João Brás Crédito da legenda: Fábio Namiuti

O Corredor da Maraca e o Corredor do Apito.
Crédito da Foto: João Brás Teixeira
Crédito da legenda: Fábio Namiuti

No final da prova, faltam pernas, e só a vontade de chegar te empurra, mas tive a ajuda da maraca marcando o ritmo do Índio, que correu a carater e descalço. Eu havia passado por ele no trecho de lama, mas ele já estava na minha cola, e consegui acompanha-lo até quase a entrada do Estádio, aonde a prova é finalizada, com muita alegria e agradecimento aos céus e a Nossa Senhora, que sempre corre comigo.
Das três vezes que participei, essa foi a mais difícil. Dificuldades extras, que não tive nas outras vezes, como chuva e lama, mas com a satisfação de correr com os amigos e fechar os 16km em 1h40m22s, minha melhor marca e 6 minutos mais rápido que no ano passado.

A satisfação dos corredores com a 2ª colocada Maria Zeferina Baldaia

A satisfação dos corredores com a 2ª colocada Maria Zeferina Baldaia

Ano que vem, faça chuva ou faça sol, estaremos lá de Volta ao Cristo, mas é bem provável que faça chuva, sol, chuvisco, neblina, e se bobear pode até nevar.

Correndo no Cartão Postal

Vista da Rampa de Paraglider em Poços de Caldas

Vista da Rampa de Paraglider – Poços de Caldas/MG

O ano nem bem começou e já tive oportunidade de treinar nos dois mais belos lugares por onde já corri: Poços de Caldas e Rio de Janeiro.
Poços de Caldas tem uma das mais belas vistas do alto do Morro do São Domingos. Tanto para o lado da cidade, como para o lado de trás, de onde se avista toda imensidão da Mantiqueira Mineira. Se a Volta ao Cristo é famosa pela dificuldade de subir a serra, a beleza que se vê lá de cima compensa todo esforço. Vou incluir mais treinos por lá nas minhas próximas idas a Cidade das Águas Sulfurosas.

No dia 14 tive uma viagem de trabalho para o Rio. Pude pela primeira vez treinar no mais belo cartão postal brasileiro. Só tinha corrido ali em provas, na Meia-maratona Internacional em 2011 e na Maratona Cidade do Rio de Janeiro em 2012. A lembrança do Aterro do Flamengo era de dor e superação do trecho final das provas. Mas dessa vez pude então simplesmente correr e curtir, tendo o Pão de Açúcar de um lado e abençoado pelo Cristo Redentor do outro. Muito grande o número de atletas treinando e assessorias esportivas ali montadas, em plena terça-feira às 7 horas da manhã. Foi um ótimo treino, e que deixou aquela vontade de “quero voltar”.
Em Poços estarei dia 27 de Janeiro para minha 3ª participação na Volta ao Cristo. Para o Rio de Janeiro ainda falta planejar. Quem sabe em julho.

“Onde tudo foi e nada é”

Esse blog foi criado para eu escrever sobre corridas, mas impedido de correr, estou aproveitando meu tempo para outras atividades. Então vou aproveitar também o espaço para fazer um relato/desabafo: Estou fazendo um curso de Monitoria Ambiental no SENAC, uma área que nada tem a ver com a minha atividade profissional, mas a oportunidade surgiu, não tinha nada a perder, somente a ganhar, então fui. Uma das atividades desse curso foi nesse último domingo de outubro, impossibilitado de fazer o Treino da 100 Juízo que subiu o Pico do Itapeva em Campos do Jordão, fui com a minha turma do SENAC fazer uma Visita Técnica a cidade Bananal, que outrora já foi uma das cidades mais ricas do Brasil durante o ciclo do café.
É lamentável ver o descaso do Brasil com seu Patrimônio Histórico.
Um exemplo é a Pharmácia Popular, uma farmácia/museu, datada de 1830, do tempo do Império. O Sr. Plínio Graça, último proprietário, cuidou com muito zelo e dificuldades até sua morte em 2011. O prédio é tombado, mas seu acervo não era, e os herdeiros simplesmente fecharam as portas, e muito provavelmente venderam tudo. O mais interessante é que, com uma simples busca na internet você fica sabendo que a ‘Pharmácia Popular’ faz parte do primeiro acervo cultural farmacêutico, do Conselho Federal de Farmácia e da Academia Nacional de Farmácia com patrocínio da Roche. Se ainda existe esse acervo ninguém sabe, ninguém viu, pois mandei um questionamento para Roche e não souberam informar, e nas entidades farmacêuticas não responderam
Se não fossem uns poucos abnegados, que dedicam seu esforço, tempo e dinheiro na tentativa de recuperar aquilo que o Poder Público simplesmente abandonou, o prejuízo seria ainda maior.
Dentro do Solar Valim, que um dia já exibiu riqueza e glamour
O Sr. Reinaldo Afonso, da ABATUR (Associação Bananalense de Turismo), tenta a custa de bingos e doações recuperar o Solar Valim, que pertenceu ao Barão Manoel de Aguiar Valim, o Eike Batista do século XIX. O Solar foi tombado pelo CONDEPHATT em 1972 e depois doado a Prefeitura, que simplesmente o abandonou.
O Sr. Pedro Teixeira, que adquiriu a Fazenda Loanda no ano de 2000, em estado degradado, e vem, mecenicamente, recuperando a propriedade e ainda abrindo a visitação pública.
Monteiro Lobato escreveu sobre região do Vale Histórico de São Paulo em seu livro Cidades Mortas, em 1919: “onde tudo foi e nada é: Não se conjugam verbos no presente. Tudo é pretérito.”
Que Bananal encontre sua nova vocação na recuperação do seu patrimônio e no turismo, e trace novas linhas para que “Tudo seja Futuro”.