Archive for maio 2015

Correr para Refletir – Centro Histórico de SP

Sempre gostei muito de correr no Centro Histórico de São Paulo. Descobri isso logo na minha primeira São Silvestre, em 2009. Nos trechos em que a prova percorre a região, vem um sentimento de paulistano, de correr na sua cidade natal pelas ruas onde a cidade nasceu. Voltaria a participar de outras provas nos anos seguintes, e sempre fascinado pela arquitetura central das ruas aonde pequeno andei. Quando vi, em fevereiro a Etapa Centro Histórico do Circuito Correr e Caminhar para Viver Bem, corrida gratuita, não pestanejei e fiz logo a inscrição, que acabam rapidamente. Mas por conta do carnaval a prova seria transferida para essa data.

Largada as 7 horas da manhã, e os Malucos do Asfalto madrugaram para ir pra Terra da Garoa. E a trupe foi formada com o Natanael, a Angélica, a Ana Paula e a Ana Lucia, que acabou seguindo no carro da Vanessa, que resolveu de última hora que ia também. Madrugada fria e com um fog londrino na Via Dutra. Chegamos no horário, as 6h30 estacionamos nas imediações da Catedral da Sé, e seguimos o fluxo de corredores apressados rumo ao Vale do Anhangabau, local da largada, onde encontramos minha sobrinha Sefirah, encarregada de pegar os kits da galera.

E deu 7 horas, a desorganização do Guarda Volumes, acabou nos atrasando, e quando finalmente terminei de embalar minhas coisas, já haviam se passado mais de 3 minutos da largada. Parti em disparada, e até os caminhantes já estavam adiantados.

Passei pelo pórtico, um tanto desanimado com a situação inédita em partir com atraso, pensando em desistir da minha prova e correr com as meninas, que também estavam saindo naquele momento, mas ai deu um estalo, ajustei o volume da música e parti na caça do tempo perdido.

centro_historico_1

Descendo a São João

Se na corrida do SESI, por largar bem na frente fui sendo ultrapassado, dessa vez foi diferente. Tive até que segurar o ímpeto inicial, sem o devido aquecimento, mas mesmo assim, saí forte, e buscando espaço para sair ultrapassando. De cara já uma subidinha rápida e a passagem pelo Mosteiro de São Bento, virando no sentido da Praça Pedro Lessa, e completando o km 1 (pace 4:59) no Largo do Paissandu. Os moradores de rua ainda acordando, sonolentos e intrigados com aquela invasão de corredores na “sala de estar”. Fui ultrapassando corredores, em meio ao fétido cheiro de urina que paira pelos becos, até Av.Ipiranga, já no km 2 (pace 4:31), cruzamos a São João, e a Praça da República, para virar na Av.São Luis e passar no km 3 (pace 4:38). Mais ou menos por ai, acabei encontrando um coelho, que iria me ajudar a manter o ritmo durante quase toda a prova. O cara me passou, e eu segui tentando acompanhá-lo, viramos na Xavier de Toledo, passamos ao lado do Teatro e fizemos a volta pela 24 de Maio, voltando na Ipiranga e retornando pela São João (km4 – pace 4:13), aonde os boêmios, travestis e prostitutas terminavam a noite de sábado ainda zombando e mexendo com os malucos a correr tão cedo. Seguimos novamente ao Teatro Municipal dessa vez pelo outro lado, fazendo a volta e descendo a Libero Badaró, para fechar os 5km iniciais em 22:39 (pace do km 5 – 4:18)

Iniciei a segunda metade com uma ligeira queda no ritmo, km 6 em 4:40.

No km 7, o que tem acontecido sempre, acabei desconcentrando e o pace aumentou para 5:17. Parti então no encalço do meu coelho, que havia aberto uma boa distância. Alguns dos moradores de rua já começavam seu dia, enquanto outros continuavam embrulhados, alheios ao frio e ao movimento dos atletas. Fiz o km 8 com 5:09 e no km 9 voltei a casa de sub-5 com 4:56. Apesar de estarmos repetindo o percurso, mal deu para perceber, era só uma leve impressão de ‘já passei por aqui’, foi quando ultrapassei o meu coelho, e fiz o décimo e último km em 4:55 fechando a prova com o tempo total de 46:54 (Meu novo recorde mundial na distância). Se no SESI havia feito com 47 minutos cravados, mas faltaram 300 metros para fechar os 10k, dessa vez o GPS bateu quase em cima (sendo que, no de alguns outros corredores deu até mais).

Cheguei apitando muito e comemorando, sendo até anunciado pelo locutor da

Só quem termina uma prova, sabe o significado desse sorriso de satisfação.

Só quem termina uma prova, sabe o significado desse sorriso de satisfação.

prova. Mal peguei a medalha e retornei para o asfalto no sentido inverso, para dar uma força pra galera que ainda vinha voltando. As meninas 100 Juízo receberam meu incentivo e merecidas apitadas, se superaram para atingir seus objetivos, não fugiram no desafio, acordaram cedo e foram todas para os 10km. Logo achei a Sefirah, e completei a prova ‘novamente’ com ela, muito feliz em correr com mais uma sobrinha (já tinha corrido com o Rafael), que o tio serviu de incentivo.

No final um misto de alegria por mais uma prova e meta concluída, mas de reflexão e um sentimento depressivo. Não que o Centro tenha se degradado tanto nesses anos nos quais corri por ali, está do mesmo jeito, com o mesmo abandono de sempre, as mesmas pichações, o mesmo fedor, e não que eu não conheça a realidade brasileira, mas, creio a diferença foi o horário em que invadimos o local e meu olhar com relação a isso.

centro_historico_4

Corrida e Reflexão…

Num domingo, Dia das Mães, onde a capital paulista teve corridas em profusão, (além dessa ainda tivemos a corrida do GRAACC- em prol das Crianças com Câncer, corrida da TrackInField no Center Norte, e muitas outras por ai), o Circuito Correr e Caminhar para Viver Bem, uma corrida gratuita, pela inclusão ao esporte, numa região que deveria ser a mais bela da cidade mais rica do Brasil, mas a beleza que vemos ali, é outra, é uma beleza degradada, gótica, deprimente. Seus moradores, esquecidos e escondidos da sociedade, e que para muitos que ali correram, passaram despercebidos durante as passadas, como se fizesse parte daquela paisagem apocalíptica.

 

É para se pensar: Correr e Caminhar para Viver Bem! Será só isso o que precisamos mesmo para Viver Bem?

 

Meu novo recorde nos 10K na Corrida do SESI 2015. SQN

Mesmo decidido a não colocar mais a mão no bolso para correr, como tem sido rotina agora, na véspera aparece uma inscrição para Corrida do SESI de São José dos Campos de presente. Dessa vez foi o amigo João Ávila, que impedido de estar em São José dos Campos no domingo, dia 26. Me passou sua inscrição, e com uma meta: Fazer a prova em 48 minutos.

Estava disposto a ir pro SESI, para fazer em 50 minutos, mas o desafio proposto pelo amigo, serviu de incentivo para ir animado para prova. Confesso que ultimamente a animação com baixar tempo e correr cada vez mais rápido anda em baixa. Tenho corrido mais, simplesmente pelo prazer de calçar o tênis, ligar o iPod e curtir as ruas. Nem treinos específicos estou fazendo, mas tenho rodado regularmente, na faixa de 30 a 40 km semanais.

Por conta da profusão de provas acontecendo no mesmo dia, a 100 Juízo acabou ficando Sem Teto, mas nada que nos abalou, o Fabio Ragacini, da Academia K2, liberou a tenda para galera, que não se fez de rogada, e se acomodou ali mesmo. Valeu Fabião!

Com a cabeça nos 48 minutos, fui para um aquecimento rápido, e consegui lugar na boca do funil, ao lado dos feras Odair e Helber. Pelotão de Elite.

11113629_1584170995159705_5318545137752963635_n

Correndo e apitando na chegada!

A vantagem de se largar na frente, é pegar pouco tráfego, o que desenvolve legal o começo da prova, mas, no caso dos pangarés feito eu, acontece um efeito negativo, de ser muito ultrapassado pelos corredores com pace muito mais rápido que o meu. Quando se larga lá no fundão, você se sente ‘o corredor’, ultrapassando todo mundo. Ser ultrapassado acaba fazendo você até forçar um pouco o ritmo antes da hora. Mas fui na minha, segui no ritmo da música, sem me abalar por ser ultrapassado e sem querer correr mais rápido do que o proposta, e aproveitei o embalo da descida da Cidade Jardim, para achar o ritmo desejado.

As placas posicionadas na descida já davam ideia de que teriam algumas voltas para completar os 10k, dá uma desanimadinha, mas como é descida, vai no embalo. O problema é quando chega lá embaixo na esquina da Cassiopeia, e a volta é numa subida que parece não ser. Desde que comecei a correr, sempre me dei bem nas subidas, aprendi logo na minha primeira corrida em 2009, a da Solidariedade em Ribeirão Preto: na subida a gente corre para descansar na descida. E o pace de 4:45 da descida, subiu um pouco acima dos 5:00, e muita gente que me passara na descida, foi sendo ultrapassado na subida.

Já perto do 1º retorno dos 5km, o Carlos Severiano, que já tinha terminado (correu a distância menos de 5K) e vinha voltando para puxar a galera, gritou: “Tá andando Silvio!!!”. Ainda tentei argumentar que não estava, e ele reforçou: “Tá sim!!!” Foi a deixa pra apertar o passo, e passar na placa de 5km com 24 minutos, só faltava repetir o trajeto no mesmo ritmo para cumprir a meta. Parece fácil, mas não é.

Baixei o pace novamente na descida, ciente que precisa das pernas e do fôlego para subir tudo de novo. Novamente ultrapassei gente que havia me passado, e segui em bom ritmo, até as placas de 8 e 9, ali, já na frente do SESI, foi a hora de buscar as forças finais fazer o último cotovelo e partir pro sprint. Como sempre cheguei apitando muito e comemorando a façanha, a meta estava próxima, e fechou com exatos 47m00s, o que se confirmaria depois no tempo oficial. Chegada animada que contagiou o já animado locutor Maquininha.

Meta cumprida, apesar que o GPS acusou uns 300 metros a menos, mas se “oficialmente” eram 10k, poderia valer como recorde. Só que não, prefiro deixar como meta futura de correr a distância correta nesses mesmos 47 minutos.