Archive for janeiro 2014

Eu voltei: XXXII Volta ao Cristo – Poços de Caldas/MG

Agora sim meu ano esportivo começou. Ainda pegando ritmo nos treinos, fui pra Poços de Caldas sem ter treinado especificamente para essa prova, mas com três participações consecutivas na bagagem, o que já me faz, de certa forma, conhecedor dos “atalhos” dessa que é uma das mais difíceis provas do Brasil.
Viagem tranquila na véspera com os amigos da 100 Juízo. Dessa vez foram conferir a encrenca comigo o Mourão, o Natanael, o Carneiro e a Camila. Fora os que já haviam seguido antes.

Carneiro, Eu, Itimura e Mourão!

Carneiro, Eu, Itimura e Mourão!

Não adianta você dizer para um corredor que não conhece a prova, que ele vai andar ou sofrer na Volta ao Cristo, alguns mais experientes até se ofendem com essa afirmação. Resta dizer: Vai lá e conheça a temida e exuberante subida do Cristo.

Depois todos se rendem não só a dificuldade que enfrentaram, mas também a beleza e peculiaridades únicas que essa corrida apresenta, e a cada ano, a turma dos “Malucos do Asfalto” que vão conferir a encrenca só aumenta.

Atá o Psy correu a Volta ao Cristo! Brincadeira, esse é o meu amigo Eder de Ribeirão Preto.

Até o Psy correu a Volta ao Cristo! Brincadeira, esse é o meu amigo Eder de Ribeirão Preto.

Além de toda a mística e diferenciais que a Volta ao Cristo tem, é um tremenda confraternização de amigos, alguns que vemos mais, outros que vemos menos, e muitos que só conhecemos nas redes sociais. Atletas que admiramos pelas suas façanhas, carisma ou tão somente pela amizade compartilhada na paixão pelo atletismo. Tem que chegar cedo na largada, para ver e conseguir cumprimentar todos mundo.

Estreando em provas na minha nova categoria “Veterano B” (45 a 50 anos) e me sentindo também como um veterano na prova, após a ativação do chip, me posicionei nem tanto a frente, mas nem tanto ao fundo. A Volta ao Cristo só tem tempo bruto, largar bem posicionado é importante.
Decidido a tentar baixar meu tempo, mesmo sem o devido preparo, já aprendi que não adianta querer brigar com a subida, como é ela que manda, a diferença tem que ser feita na parte plana, dividi a prova em 4 partes e cada uma delas com um desempenho específico:

1ª parte: 5km plano (correr no meu ritmo forte, na casa dos 5:00 min/km);
2ª parte: 4,5 km subida (caminhada/trote/caminhada);
3ª parte: 4,5 km descida (sentar a bota e extrapolar na descida);
4ª parte os 2 km finais de plano (superação para finalizar).

Apesar do calor, mantive na 1ª parte o ritmo próximo a 5:00 min/km, chegando na placa de 5km com pouco mais de 25 minutos. Correndo focado, mas sem deixar de me divertir, apitando e pedindo incentivo aos espectadores que ficam nas calçadas assistindo a galera correr, e que ao ouvir o apito gritavam e aplaudiam. Fui encontrando amigos pelo caminho, correndo ou assitindo.

No início da 2ª parte já na subida da Av. Assis Figueiredo o veloz companheiro Carneiro me passou, e o meu ritmo foi caindo naturalmente,  faria o 6 km em 6m19s. Peguei água no posto do início da mata, e ali, bem antes que no ano passado, comecei a caminhar. Intercalando caminhada e corrida, mais caminhada que corrida, segui apreciando a bela mata do Morro de São Domingos, e aproveitando para fazer amigos, encontrar mais gente conhecida e até leitores do blog.
Foi engraçado quando dois cachorros passaram correndo a todo vapor entre os “corredores caminhantes”, e ainda pararam na frente, fizeram as necessidades e voltaram a correr, como a desdenhar de todos nós, só faltou falarem: “cuidado para não pisar.”
Segui na caminhada/trote/caminhada até escutar o Hino Nacional, avisando que o Cristo está próximo e avistar o Seu Gonçalo, veterano e ex-combatente do Exército a homenagear os atletas. Após saudá-lo, fui inflamado a apertar o passo, e até ritmar para galera, para finalmente chegar ao Cristo. Os paces dessa etapa foram na casa dos 10min/km e fechei o 9km com 1h05 de prova. Muita água na cabeça, agradecimento aos Céus, respirei e iniciei a 3ª parte da prova.
Bem diferente ao ano passado, estava muito seco, e o cascalho solto no canto da estrada pode ser perigoso, convém usar o meio e buscar o chão batido, e nos trechos perigosos, alguns até sinalizados, manter toda atenção. Eu teria que fazer os 7km restantes em 35 minutos, se quisesse ao menos igualar ao ano anterior. O km 10 foi feito em 5:27 minutos, mas depois embalei em alucinada carreira, fazendo os paces mais incríveis da vida (km 11: 4:36 – km 12: 4:33 – km 13: 4:21 e km 14: 4:25). Fechei a 3ª parte com 1h28m. O meu recorde estava a dois quilômetros de distância, e bastava manter o ritmo proposto, o km 15 fiz em 5:15 e entrei no último e mais difícil km de toda a prova. No trecho de serra, a mata mantém a temperatura fresca, mas ao voltar para cidade, o sol e o calor pegaram de vez. Já sabia que isso aconteceria e ali as pernas simplesmente travam. Esbocei uma caminhada, mas passou um corredor me incentivando, não deixei a peteca cair.

O último e difícil km registrado pelo Jorge Ultramaratonista.

O último e difícil km registrado pelo Jorge Ultramaratonista.

Foi quando passou o carioca Jorge Ultramaratonista, que veio conhecer o Cristo mineiro, e registrou esse momento. Faltando 500 metros para terminar a prova, mentalizei e apertei o ritmo. Na entrada do Estádio a veterana e amiga Dona Alda aguardava torcendo e me acompanhou até o portão. Adentrei o Estádio Ronaldo Junqueira apitando a plenos pulmões, saudando e sendo ovacionado, e até o “grande” Lelo, da Secretaria de Esportes, anunciou no microfone a chegada em grande estilo do atleta da 100 Juízo, o “Corredor do Apito!”. Deixo aqui meu registro de parabéns a toda equipe da Secretaria de Esportes pela ótima organização, e por estar sempre buscando corrigir e melhorar a prova a cada ano.
Chegada mais que emocionante e comemorada, ultimo km com altos 6:09min/km mas suficientes para fechar a prova com 1h38m20s, dois minutos mais rápido que em 2013. Medalha, com novo lay-out no peito, e uma certeza no coração:
Volta ao Cristo, em 2015 a gente volta!

A Zeferina dessa vez chegou em 3º mas não deixou de esbanjar a simpatia de sempre.

A Zeferina dessa vez chegou em 3. mas não deixou de esbanjar a simpatia de sempre.

Fechado para balanço!

Fechando o ano de 2013 vamos aos números finais:

Para ter um controle e acompanhamento dos meus treinos eu uso a Planilha de Registro de Treinos do Fabio Namiuti. Clique na imagem e saiba como ter a sua também.

– Percorri 1425 km (a maior distância em um ano desde que comecei a correr em 2009);
– Fiz 120 treinos;
– Participei de 12 provas;
– Passei 141,28 horas correndo;
– A distância média por treino/corrida foi de 10,796 km com ritmo médio de 5:57 min/km (10,09 km/h);
– O dia da semana com maior rodagem foi no domingo, com 510,995 km acumulados e com menor distância foi na terça, com 110,180 km;
– Passei 64 dias sem poder treinar por conta de contusão, e desses 20 foram na Fisioterapia;
– Fiz meus melhores tempos nas provas:

10k – 10/11/2013 – Oscar Fashion Running  :  47:13
15k – 24/03/2013 – Corrida de Barueri :  1:16:30

Participei de corridas bem legais, fui pela terceira vez na Volta ao Cristo de Poços de Caldas e

Correndo com Fé!

Correndo com Fé!

pela segunda nos 15K de Barueri. Corri na USP na Night Run Especial Edition e na tradicional 18ª Corrida Centro Histórico de São Paulo e voltei na Maratona de Revezamento Pão de Açucar, dessa vez com a Equipe Equilíbrio. E tivemos a nossa Corrida de Verão da 100 Juízo, da qual além de correr, ajudei na organização, além dos treinos memoráveis da Equipe 100 Juízo no ano, não fui em todos, mas nos poucos que fui valeram a pena: Volta ao Banhado, Ataque ao Cume, entre outros muito bons.

Esse ano consegui que meu irmão Helder finalmente começasse a correr, já tendo inclusive

participado de sua primeira prova, também servi de incentivo aos sobrinhos(as) Rafael, Sefirah e o Jefferson. Além de também ter ajudado o amigo Maurílio a correr sua primeira São Silvestre.

Enfim foi um ano muito proveitoso, aonde corri mais e mais longe, incentivei, fiz novas amizades, abri novos horizontes e tenho certeza que 2014 será ainda melhor, correndo e apitando, com muita Fé!

89ª Corrida Internacional de São Silvestre

A mais tradicional corrida de rua do Brasil é um caso de amor e ódio do corredor. Todos os anos os corredores reclamam, choramingam, enchem as redes sociais com as mais diversas críticas e reclamações, mas ela continua batendo recordes de participação mesmo com uma das inscrições mais caras do circuito nacional.

Corri em 2009 (Leia aqui: Como comecei a correr) e em 2010, e não tinha a intenção de retornar a São Silvestre tão cedo, mas por conta do convite do amigo Maurílio Chagas, que tinha como meta do ano, além de começar a correr, ir para São Silvestre, parti para minha 3ª participação. Meu sobrinho Rafael, que também é outro que incentivei a correr, também foi para sua primeira participação, junto com a sua noiva Mayra. E assim, cada qual com suas metas, objetivos e expectativas, seguimos cedo para a Paulista.

A turma se hospeda no Hostel mas tira foto na frente do Maksoud Plaza.

A turma se hospeda no Hostel mas tira foto na frente do Maksoud Plaza.

Encontramos o Matheus Personal e sua turma da Equilibrio de Ribeirão Preto no Gol Backpacker Hostel. Do meu amigo Maurílio acabei desencontrando, tentamos marcar um local, que acabou não dando certo, é muita gente num espaço muito grande. Só dando sorte mesmo.

Apesar de todas as recomendações e dicas dos corredores experientes, de que a São Silvestre não é uma prova para se baixar tempo, fui para Paulista com a expectativa de tentar fazer minha melhor marca na prova e na distância dos 15km (Em Março fiz 1:16:30 na Corrida de Barueri e cheguei perto disso nos treinamentos), mas ao alinhar para largada, junto ao Rafael e a Mayra, deu para prever que ali não teria tempo baixo. A largada foi dada pontualmente as 9 horas, e 15 minutos depois ainda não havíamos saído do lugar. Aos poucos começamos a “procissão” como disse o amigo Colucci, e as 9h25 enfim passamos no pórtico para começar a correr.

Eu e o Rafa no click do amigo @antoniocolucci_13

Eu e o Rafa no click do amigo @antoniocolucci_13

Começamos a tentando buscar o ritmo desejado e abrindo caminho aonde não existe. A Mayra seguiu no seu ritmo, e eu e o Rafael dentro do planejamento de irmos juntos até o final. Ele achando que eu iria puxa-lo, mas na verdade ele é que era o meu coelho. O primeiro km até foi satisfatório feito em 5:09, e ai nas descidas que levam ao Pacaembu, diferente das recomendações que manda segurar, deixamos a descida nos levar. Os próximos 3 km foram dentro do plano de 4:45, mas no primeiro posto de água, já foi uma aglomeração tremenda, e a velocidade foi caindo. É impossível manter um bom ritmo, tendo que desviar a abrir espaço a todo instante, e ai cabe um adendo, ao correr dessa maneira, desviando, mudando o curso, buscando espaço nas calçadas, pulando guias, você acaba utilizando uma musculatura que normalmente não é utilizada, o que acaba desgastando as pernas. Você só vai sentir isso lá na frente.

Correndo de casalzinho com o sobrinho no túnel de acesso a Av.Dr.Arnaldo

Correndo de casalzinho com o sobrinho no túnel de acesso a Av.Dr.Arnaldo

O Rafael seguia firme ao meu lado, ora ele me indicava por onde passar, ora era eu que mostrava o caminho, e achei até que chegamos rápido a Av. Rudge Ramos e o Memorial da América Latina, mas na subida do Viaduto Orlando Murgel a minha corrida desandou de vez. O calor e a tentativa de tentar impor um ritmo que o fluxo não permitia, acabou desanimando e minando meu desempenho. Ao ver que o relógio marcava 54 minutos ao passarmos pelo km 10 foi um banho de água “quente” nas intenções, e restando 1/3 da prova por fazer, seguimos aproveitando a parte mais bela da prova, que passa por alguns pontos do Centro Histórico da capital, como a Praça da República, Largo do Paiçandu, Teatro Municipal, Viaduto do Chá e o Largo do São Francisco, onde cantei a música aprendida em 2009.

Chegando à Brigadeiro, seguimos a mesma estratégia da equipe queniana e que levou o  Kipsang a sua segunda vitória na prova e aos 3 lugares mais altos do podium para a equipe. Dali pra frente seria cada um por si, e o Rafa seguiu forte na subida, enquanto eu subi guardando as pernas e o folego para a chegada, e ao virar na Paulista, deixei a alegria me embalar num sprint final, muito comemorado. Com o apito eu agitava a galera, e segui saudando a plateia, afinal  terminar a prova é mais um momento que representa a superação, o dever cumprido, fechar 2013 e ir com tudo para 2014.

Medalha no peito e missão cumprida!

Medalha no peito e missão cumprida!

Tempo final 1:25:41, medalha no peito, por sinal, uma das mais belas da minha coleção, ainda revi alguns amigos de São José na dispersão. Fica aqui o meu registro de agradecimento, ao meu sobrinho Rafael, que me ajudou muito durante a prova, e ao amigo Maurílio, não o encontrei, mas fiquei muito feliz pelo seu feito, e por ter sido um dos seus incentivadores a essa mudança de vida. Aproveito aqui e deixo meu abraço a todos os amigos que estavam lá, corremos juntos e vibramos todos nessa confraternização de fim de ano.

Parabéns a todos, e que possamos correr muito mais em 2014!