Archive for setembro 2013

21ª Maratona de Revezamento Pão de Açúcar

Conheci o Matheus Henrique, personal trainer da Academia Equilibrio Personal, em 2009. Tudo teve início no Projeto São Silvestre, que começou na sua coluna no Ribeirão Preto Online (para ler como foi clique aqui), e chegou até minha primeira São Silvestre, que para quem ainda não leu, basta clicar ai em cima em “como comecei a correr”.
Passados 4 anos, muita coisa já se passou, mudei de Ribeirão, voltei para São José dos Campos, novos desafios e objetivos vieram depois da São Silvestre, maratonas e tantas outras provas, novas amizades, e hoje faço parte da Equipe 100 Juízo, que me adotou em São José.

A turma da Equilibrio Personal

A turma da Equilibrio Personal

Mas quando o Matheus me chamou para fazer dupla com ele na Maratona de Revezamento Pão de Açúcar e vestir a camiseta da academia Equilíbrio Personal não pensei duas vezes, afinal se hoje eu sou um corredor, devo isso a ele. Além do que seria uma ótima oportunidade de rever o amigo, sempre tentamos programar alguma prova juntos, mas nunca dá certo.
O Studio Personal Equilíbrio foi então para a 21ª Maratona de Revezamento Pão de Açúcar com duas equipes, o quarteto formado pela Debora, o Eder Yamada, o Caio e o Renato Ramos, e a dupla Matheus e eu.
A retirada do Kit ficou por minha conta, segui no sábado para São Paulo com os 100 Juízos Helber, Fábio, Tiago e Aldo, que iam participar da 6ª Corrida 24 horas na Pista no Parque Esportivo dos Trabalhadores no Tatuapé. Confesso que fiquei com vontade até de dar umas voltinhas na pista, mas ainda tinha uma jornada de ônibus, metrô e caminhada, até o Conjunto Desportivo Constâncio Vaz Guimarães lá no Ibirapuera, para pegar o kit, e depois seguir para minha hospedagem no apartamento do meu sobrinho, pupilo e futuro afilhado Rafael, que mora em frente ao que foi o presídio do Carandiru. Agora é um parque muito bacana, e não faltou vontade de dar umas voltas lá também. Vai ficar pra uma próxima visita.

No domingo minha prova começou cedo, 5h30 já estava no metrô, com destino a Brigadeiro, onde a organização da prova disponibilizou ônibus para levar os atletas até o Ibirapuera. E em frente ao Obelisco encontrei a turma que viajara na madrugada. Kits distribuídos, quem iria abrir a prova seguiu para largada, e quem iria pro revezamento, seguiu para os pontos de troca. Olhando no mapa parece simples, mas é bem complicada a logística dessa que é, segundo os organizadores, a maior prova da América do Sul em número de participantes, mais de 35.000 corredores colorindo o entorno do Parque do Ibirapuera.

O Matheus abriu nosso revezamento.

O Matheus abriu nosso revezamento.

 

Na subida da Rubem Berta o bicho pega.

Na subida da Rubem Berta o bicho pega.

Em 2011 corri num octeto (5km para cada corredor), e a área de troca é muito cheia e animada, muitos marinheiros de primeira viagem. Já nas duplas (+ ou – 21km para cada) a maioria é de veteranos, gente que corre bem. Com pouco mais de uma hora de prova, já tinha atleta fazendo a troca, os caras de ponta trocavam rápido e saiam voando. Acabei nem vendo o Matheus passar na primeira volta, e a partir das duas horas fiquei atento, esperando meu parceiro para fazermos a troca, o que só aconteceu com 2h40 de prova. O Matheus chegou bem cansado, e já previ o que me esperava pela frente. Comecei animado e fiz os primeiros 10km com 55 minutos, mas fazer duas voltas é sempre chato e não consegui manter o ritmo, principalmente nas subidas da Rubem Berta.
Passar correndo pelos pontos de troca das equipes é muito legal. Corredores animados gritando, torcendo e saudando quem passa. Essa é a primeira corrida da vida de muita gente, e é gratificante ver a galera que resolveu levantar cedo no domingo para correr.
Nos últimos quilometros as pernas simplesmente travaram, e o ritmo caiu muito, fui seguindo no trote, mas ao avistar o pórtico dei um tremendo sprint, apitando e comemorando, o que acaba contagiando a platéia. Foi uma das chegadas mais festivas que eu já fiz, comemorei como se tivesse marcado um gol, e foi muito emocionante.
Fechei a segunda parte em 1h58, foi acima do que eu pretendia, mas foi o que consegui.
Tempo final da dupla 4h40, com muita alegria e a satisfação de correr com um grande amigo numa das corridas mais divertidas do circuito, é uma daquelas que você tem que juntar sua turma e fazer ao menos uma vez na vida.

Emoção e comemoração na chegada!

Emoção e comemoração na chegada!

 

Pra baixo todo “santo” ajuda, mas e pra cima?

vista do Pico

Vista do Pico do Itapeva – Foto: Cristiane Hallrs

Se o provérbio diz que para baixo todo “santo” ajuda, e para cima? Quem ajuda?

No treino “Ataque ao Cume”, não tem santo para ajudar não, você vai precisar das suas pernas, muita determinação, e claro, contar com o apoio dos amigos para não desanimar na subida.

Chegando no Pico

Quando passa ai é porque tá chegando!
Foto: Cristiane Hallsr

Nosso amigo de 100 Juízo Fabio Namiuti (leia o relato do Fabio aqui) teve a ideia e criou o treino em 2011. O percurso sai da Praça do Capivari no centro de Campos do Jordão, e sobe para o Pico do Itapeva, um dos pontos mais altos da Serra da Mantiqueira no Vale do Paraíba, e que, curiosamente fica no município de Pindamonhangaba, apesar de o único acesso por estrada ser esse mesmo do nosso percurso, que sai de Campos do Jordão.

Em 2011 participei da primeira edição, quando eramos cerca de 20 pessoas desafiando os 10 km com cerca de 300 metros de altimetria. Dessa vez foram mais de 50 malucos, que partiram da altitude de 1587 metros para chegar no cume do pico, que oficialmente tem 2030 metros (segundo os mapas do IBGE), talvez em algum outro ponto. No final do treino o Garmin marcava 1871m sendo que em alguns trechos alcançamos 1888m.

 

Subidinha brava. Foto: Helber Costa

Subidinha brava.
Foto: Helber Costa

O início do percurso é a parte mais puxada, não me lembrava bem disso da primeira edição, e fui no ritmo que a subida me permitia, sem me preocupar, afinal o objetivo é chegar lá em cima, além é claro de apreciar a bela paisagem.

O apito trabalhou bastante, como alerta da aproximação dos veículos. A estrada é estreita, e alguns motoristas, mesmo num dia de domingo, numa estrada turística, num local totalmente aprazível, ainda são sem paciência, ou insistem em acelerar em velocidade incompatível com o local. Mas o pessoal já é escolado e sabe correr pelo cantinho, sem correr riscos desnecessários.

Errar o caminho é difícil, todo trecho é sinalizado, mas tudo é muito parecido, e o “pelotão de elite” acabou entrando a direita numa dessas bifurcações, mas tudo bem para eles, para quem é “elite” correr 2 ou 3 km a mais não faz diferença. Para mim que estava firme no intuito de subir tudo correndo, mesmo que num ritmo lento faria sim, e tratei de prestar bem atenção nas placas.

Sentando a bota na cola do Fabio. Foto: Suelen Carvalho

Sentando a bota na cola do Fabio.
Foto: Suelen Carvalho

Até o km 4, o ritmo seguiu na casa dos 7:30 min/km, depois dá para aumentar um pouquinho, num trecho muito bonito no alto da montanha, baixando da casa dos 6:00 min/km, e fui seguindo assim. Teve até um pace mágico de 5:19 no km 9, num longo trecho de descida, quando eu e meu parceiro Fabio Namiuti descemos a bota, relembrando a descida do Cristo em Poços de Caldas.

Aliás eu e o Fabio estamos com o ritmo parecidos, e tem sido frequente a parceria nos treinos, se em 2011 fizemos um bom trecho juntos, mas sucumbi na última subida, dessa vez nos ajudamos a não perder o ritmo para chegarmos no final, que foi uma tremenda festa da 100 Juízo, que tomou conta do mirante, de onde dizem ser possível avistar 15 cidades do Vale do Paraíba. Como bem disse nosso Diretor Edward, chegar lá em cima qualquer um chega, mas correndo, só os Malucos do Asfalto.

Galera 100 Juízo no Pico do Itapeva

Galera 100 Juízo no Pico do Itapeva

Pic-nic na beira do Lago e a alegria de todos pelo desafio concluído, cada qual com sua metacumprida. Eu só queria chegar, e se em 2011 fiz em 1h16m terminar em 1h12 foi bem legal.

Mais um treino daqueles que valem muito mais que uma corrida. Fica a lembrança das belas paisagens por onde passamos, e o companheirismo e amizades que fazemos praticando aquilo que mais gostamos.

Até o próximo!

O dia que eu conversei com o nosso Recordista Mundial da Maratona

No ano de 1998 eu nem sonhava que um dia seria um corredor, e que correria até uma maratona. Aliás, em 1998 eu pouco me interessava por corrida de rua, e tampouco acompanhava o atletismo, somente nas Olimpíadas e no último dia do ano assitia a São Silvestre.

Ronaldo da Costa - Berlin 1998

Ronaldo da Costa – Berlin 1998

Nesse ano, um atleta brasileiro, que já vencera a São Silvestre em 1994, subiria no lugar mais alto do podium de uma das mais conceituadas maratonas do mundo, a de Berlim, e com quebra de um recorde que já durava cerca de 10 anos.

O Brasil acompanhou seu feito, “passou no Jornal Nacional”, e o Ronaldo foi muito festejado. Passados 15 anos, é mais um daqueles atletas que não tem em solo brasileiro o reconhecimento de seu feito, enquanto que lá fora é sempre reverenciado e lembrado. Em Berlim, sempre prestam homenagens aos vencedores da Maratona, e ele já teve até medalha com seu recorde estampado.

Hoje como corredor, sei bem quem é o Ronaldo, e é um dos meus ídolos do meu esporte preferido. Como disse bem o amigo Vicent Sobrinho, o Ronaldo é o nosso Pelé do Atletismo. Mas além disso tudo, o Ronaldo é um cara simples e humilde. Não o conheço pessoalmente, pode até ser que já tenha participado de alguma prova aonde ele estivesse presente, mas a internet me proporcionou a oportunidade de conversar com essa lenda do nosso atletismo.

Estava eu em casa no ano passado, quando o Ronaldo me chama no Facebook, pergunta se eu tenho Skype e se poderia adiciona-lo. Achei que era trote, e confesso que fiquei até desconfiado, mas, fiz o que ele pediu, e iniciamos uma ligação no Skype. E era ele mesmo, o Ronaldo da Costa. Conversou comigo como se fosse um velho amigo, me contou que estava em Brasilia, aonde faz um trabalho de formação de jovens atletas junto a Secretaria de Esportes, e precisava mesmo era aprender a falar no Skype, pois daria uma entrevista online para a ESPN e nunca havia utilizado a ferramenta. Queria saber se o som e a imagem estavam bons. Fizemos vários testes e acho que deu certo.

Depois disso voltaríamos a nos falar, quando ele me chamou para contar sobre o episódio em que foi assaltado no ponto de ônibus no começo do ano, quando ia para o trabalho.

Ainda quero conhecê-lo pessoalmente, qualquer hora a gente se encontra em uma prova por ai. Mas foi uma tremenda honra para mim conversar e ter a amizade, mesmo que virtual, com o cara que correu a Maratona de Berlin em 2h06m05s, e que é o recorde sulamericano a ser batido até hoje, um exemplo de simplicidade e uma referência para todos nós, corredores ou não.